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quinta-feira, 25 de junho de 2015
Alguns corais já estão prontos para encarar o aquecimento global
Estudo divulgado hoje (25) na revista americana Science pode
representar alívio para oceanógrafos e climatologistas. Uma equipe da
Universidade do Texas, em parceria com a Universidade de Oregon, descobriu que
alguns corais da espécie Acropora millepora, localizados em áreas quentes da
Grande Barreira de Corais, na Austrália, já apresentam variações genéticas que
os tornam resistentes a águas mais quentes.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores compararam os
corais presentes em áreas mais quentes da Grande Barreira dos Corais, na
Austrália, com outros situados em uma região quase 500 quilômetros ao sul. Eles
acabaram descobrindo que larvas descendentes de corais do norte, cuja água é 2
graus mais quente, tinham dez vezes mais chance de sobreviver a maiores
temperaturas, se comparadas às do sul.
Depois de identificar a diferença na resistência das duas,
os pesquisadores analisaram o genoma das larvas e descobriram variações
genéticas que estariam relacionadas a essa tolerância ao calor. Além disso,
descobriram que mesmo quando os corais resistentes cruzam com os do sul, eles
conseguem transmitir os genes resistentes.
Apesar de os pesquisadores terem focado o trabalho em apenas
uma espécie, eles destacam que é grande a possibilidade de que outros corais
tenham desenvolvido o mesmo mecanismo. "É muito provável que a variação
genética será estruturada de forma similar em muitas, se não na maior parte, de
espécies de corais que compartilham a mesma estratégia reprodutiva: liberar
gametas na água uma vez por ano, que se dispersam em forma de larva. Mas isso
ainda terá de ser confirmado", disse ao site de VEJA Mikhail Matz,
professor de biologia da Universidade do Texas em Austin e um dos autores do
estudo.
O artigo ainda aponta que o homem poderia ajudar na
preservação dos corais justamente ao espalhar pelos oceanos os que já
desenvolveram genes resistentes. Os mares do Caribe e do norte do Oceano
Pacífico abrigam corais similares aos estudados que, portanto, poderiam se
beneficiar da descoberta.
"Os corais não têm que esperar parar as mutações
aparecerem. A larva do coral pode cruzar oceanos naturalmente, mas humanos
também conseguem contribuir, realocando corais adultos para acelerar o
processo", disse Matz. Ele destaca, porém, que um coral só poderia ser
transferido para outro lugar dentro de seu habitat natural, o que quer dizer
que um da Austrália que já tenha desenvolvido os genes não poderia ser levado
para o Caribe, porque com ele possivelmente iriam doenças e outras ameaças à
população nativa.
Os corais são conhecidos por serem os primeiros seres vivos
a sofrerem com (e sinalizarem) os efeitos das mudanças climáticas. O aumento da
temperatura das águas faz com que eles percam o tom alaranjado e comecem a
ficar esbranquiçados. Isso acontece porque, com as altas temperaturas, os
corais expelem as algas que vivem em seu tecido, tornando-se ainda mais
vulneráveis.
O cientista Mikhail Matz deixa um recado para aqueles que
encaram o artigo como uma solução para o aquecimento global: "Nossa
descoberta de maneira nenhuma deve ser encarada como uma pílula mágica que
resolverá o problema. Essa variação genética vai nos dar mais tempo, mas
eventualmente esse prazo se esgotará quando as temperaturas esquentarem demasiadamente",
disse. "Se quisermos salvar os corais, assim como o resto da
biodiversidade do planeta, ainda precisamos desenvolver uma solução para frear
de vez o aquecimento global", acrescenta.
fonte: veja.abril.com.br
sábado, 18 de maio de 2013
Concentração de dióxido de carbono na atmosfera é a maior da história
Relatório aponta que a concentração do gás atingiu o nível
de 400 partes por milhão, o que não acontece há provavelmente mais de 3,5
milhões de anos
Nesta quinta-feira, a concentração de dióxido de carbono
(CO2) na atmosfera medida diariamente pelo Observatório Mauna Loa, no Havaí,
ultrapassou a marca de 400 partes por milhão pela primeira vez desde o início
das medições, em 1958. Segundo os pesquisadores, o valor é simbólico, pois
nunca foi atingido durante toda a História da humanidade — pesquisas mostram
que a última vez em que a concentração do gás na atmosfera chegou a um nível
tão alto foi há mais de três milhões de anos.
O dióxido de carbono emitido para a atmosfera pela queima de
combustíveis fósseis e outras atividades humanas é o principal gás do efeito
estufa, contribuindo com grande parte do aquecimento global. Assim que é
emitido, o gás se espalha pela atmosfera — onde permanece por milhares de anos
—, aprisionando a radiação do Sol e impedindo que o calor seja dissipado do
planeta. Desde que os cientistas começaram a acompanhar sua concentração na
atmosfera, ela vem crescendo a taxas cada vez maiores. Antes da Revolução
Industrial, no século 19, a
concentração média de CO2 era de cerca de 280 partes por milhão.
Os primeiros dados obtidos pelo Observatório Mauna Loa, em
1958, mostravam que a concentração de CO2 já estava na faixa de 316 partes por
milhão. A partir daí, o nível só aumentou. Durante os primeiros anos de
medição, a concentração crescia a uma taxa de 0,7 partes por milhão por ano. Na
última década, esse crescimento acelerou e chegou a 2,1 partes por milhão por
ano.
Observações realizadas no Observatório pela Administração
Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos e pelo Instituto Scripps de
Oceanografia durante as últimas semanas já mostravam que a marca estava para
ser atingida. "Esse crescimento não é uma surpresa para os cientistas.
Isso é uma evidência conclusiva de que o forte crescimento nas emissões globais
de CO2 vindas da queima de carvão, pertróleo e gás natural está levando a essa
aceleração", diz Pieter Tans, pesquisador do Administração Nacional
Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos.
Marco pré-histórico — Durante os últimos 800.000 anos, a
concentração de CO2 na atmosfera ficou entre 180 partes por milhão — durante as
eras glaciais — e 280 partes por milhão, nos períodos mais quentes. A taxa
atual de crescimento na concentração do gás é mais de 100 vezes mais rápida do
que o aumento que houve no final da última Era Glacial.
Os cientistas estimam que a última vez e que a concentração
de CO2 chegou ao nível atual foi há mais
de três milhões de anos, durante o Plioceno, época geológica em que as
temperaturas na Terra eram cerca de três graus mais quentes do que hoje.
"Não há como impedir que o dióxido de carbono ultrapasse a marca das 400
partes por milhão. Isso já aconteceu. Mas o que acontecer daqui para frente
ainda vai influenciar no clima e pode ser controlado", disse Ralph
Keeling, pesquisador do Instituto Scripps de Oceanografia.
Limite — Os dados do IPCC ( o painel de mudanças climáticas
da ONU) sugerem que a concentração de 450 ppm representa o limite a partir do
qual o aquecimento ganharia uma dinâmica que poderia prejudicar a existência
humana sobre o planeta. O ideal, ainda
de acordo com o IPCC, seria manter a concentração abaixo de 450 ppm para evitar
que a temperatura subisse acima dos 2 graus Celsius, limite capaz de provocar
danos no ecossistema. Segundo estimativas do órgão, no pior cenário acabariam
as geleiras do planeta.
É significativo o fato de a concentração de CO2 ter
ultrapassado o limite de 400 ppm. Mas ainda é impossível precisar de forma
definitiva quais serão os efeitos dessa concentração sobre o planeta.
Além disso, as medições do IPCC têm sido alvo de várias
críticas. Como afirmou o climatologista inglês Nicholas Lewis em reportagem de
VEJA, publicada em 8 de maio, que usou dados do próprio IPCC para prever o
aumento da temperatura global até o ano 2100, não existe o risco de se concretizarem
a maioria das previsões catastróficas que são propaladas pelos alarmistas, como
a de que cidades à beira-mar vão ficar submersas.
Fonte: veja.abril.com.br
Derretimento das geleiras é responsável por um terço do aumento no nível do mar
Pesquisa mostra que as geleiras do planeta perdem por ano
cerca de 259 trilhões de quilos de gelo, que são jogados nos oceanos do planeta
Geleiras são massas de gelo de até 50.000 quilômetros
quadrados que se formam sobre as partes terrestres do planeta. Apesar de serem
imensas, elas representam apenas 1% do gelo terrestre do mundo. Todo o resto
está armazenado nos chamados mantos de gelo, camadas maiores que 50.000 quilômetros
quadrados só encontradas na Groenlândia e na Antártida. Uma nova pesquisa
mostrou que, apesar de representarem uma quantidade tão pequena do gelo
mundial, o derretimento das geleiras é responsável por um terço do aumento no
nível do mar medido nos últimos seis anos. O estudo foi publicado na revista
Science.
O novo estudo usou dois satélites lançados pela Nasa e
expedições terrestres para fazer as medidas mais precisas até agora do quanto
as geleiras diminuíram em decorrência do aquecimento do planeta. As medições
mostraram que, entre 2003 e 2009, elas perderam 259 trilhões de quilos de gelo
por ano. Essa água, jogada nos oceanos, seria responsável por aumentar o nível
do mar em 0,7
milímetro ao ano — cerca de 30% de todo o aumento
detectado no período. “Pela primeira vez, nós fomos capazes de medir muito
precisamente o quanto essas geleiras estão contribuindo para o aumento do nível
do mar. Esses corpos menores estão perdendo quase tanta massa quanto os grandes
mantos de gelo”, disse Alex Gardner, pesquisador da Universidade Clark, nos
Estados Unidos.
O estudo se baseia em dados colhidos pela Universidade do
Colorado, que mostra que o nível do mar subiu, em média, 2,2 milímetros por
ano durante o período. Segundo os pesquisadores, outro um terço desse aumento
seria causado pelo derretimento dos mantos de gelo, e o restante pela expansão
térmica da água do mar. “Como a massa global das geleiras é relativamente
pequena em comparação aos grandes mantos de gelo, os pesquisadores tendem a não
se preocupar com elas. Mas nosso estudo mostra que elas são como um pequeno
balde com um grande furo no fundo: ele não deve durar muito — apenas um século
ou dois —, mas enquanto houver gelo nas geleiras, elas serão responsáveis por
uma grande parte do aumento no nível do mar”, diz Tad Pfeffer, glaciologista da
Universidade do Colorado.
Medidas conflitantes — As pesquisas anteriores sobre o
derretimento das geleiras eram feitas apenas com base em dados coletados em
terra. Os pesquisadores geralmente medem as massas de gelo do cume até uma das
pontas da geleira, e extrapolam os dados para toda a área. Esse tipo de técnica
costuma ser muito boa para medir massas pequenas e individuais, mas tende a superestimar
a perda de gelo em regiões maiores. “Observações em terra costumam ser
possíveis apenas nas geleiras mais acessíveis, onde o derretimento é mais
rápido do que a média”, disse Gardner.
Para corrigir as distorções, o estudo também usou dados de
dois satélites da Nasa: o ICESat e o Grace. O primeiro, que parou de funcionar
em 2009, media a altura das geleiras por meio de pulsos de laser que lançava em
direção ao solo. Já o Grace, ainda operacional, é capaz de detectar variações
no campo gravitacional da Terra que são resultantes de mudanças na distribuição
de massa no planeta, incluindo alterações nas massas de gelo. Ao contrário das
estimativas terrestres, os satélites não são bons para medir pequenas geleiras,
mas medem muito bem as grandes regiões.
Juntando as informações, os pesquisadores descobriram que
todas as 19 regiões estudadas perderam gelo entre 2003 e 2009. As geleiras que
mais perderam massa ficam nas regiões árticas do Canadá, Alasca e Groenlândia,
no sul dos Andes e no Himalaia. Em contraste, as geleiras periféricas da
Antártida — pequenos corpos de gelo que não são conectados ao grande manto da
região— contribuíram muito pouco para o aumento no nível do mar durante o
período.
As estimativas atuais dizem que todas as geleiras do mundo
contêm água suficiente para aumentar o nível do mar em sessenta centímetros. Em
comparação, o manto de gelo da Groenlândia, que ocupa 1,7 milhão de quilômetros
quadrados, tem o potencial de contribuir com cerca de seis metros de água;
enquanto o da Antártida, ocupando 14 milhões de quilômetros quadrados, pode
contribuir com pouco menos de sessenta metros.
Fonte: veja.abril.com.br
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