FLORESTAS TROPICAIS SÃO CAPAZES DE RESISTIR AO AQUECIMENTO GLOBAL

Uma nova pesquisa publicada neste domingo mostra que as florestas tropicais correm menos risco de perder sua cobertura vegetal como consequência do aquecimento global do que as previsões mais alarmistas mostravam.

NASA PLANEJA CAPTURAR ASTEROIDE E COLOCÁ-LO EM ÓRBITA DA LUA

A Nasa anunciou nesta quarta-feira o projeto de capturar um pequeno asteroide, colocá-lo em órbita da Lua e explorá-lo cientificamente.

CIENTISTAS DIZEM QUE UM COMETA, NÃO UM ASTEROIDE, CAUSOU A EXTINÇÃO DOS DINOSSAUROS

Dupla de pesquisadores afirma que o corpo celeste que atingiu o planeta era menor e mais rápido que um asteróide

NO PASSADO, AQUECIMENTO GLOBAL AUMENTOU A BIODIVERSIDADE

Em grandes escalas de tempo, aumento da temperatura favorece mais o surgimento que a extinção de espécies, segundo cientistas britânicos.

VULCÕES EXTINGUIRAM METADE DAS ESPÉCIES DA TERRA HÁ 200 MILHÕES DE ANOS

Utilizando um novo processo de datação de rochas, pesquisadores americanos relacionaram com precisão um intenso período de erupção vulcânica à extinção de cerca de metade das espécies existentes...

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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Prepare-se para uma longa terça-feira. Ela terá um segundo a mais

Com veículos e informações rápidas, o mundo parece girar mais veloz. Mas a Terra, que não costuma respeitar o ritmo da tecnologia, está rodando mais devagar. Por isso, nesta terça-feira, o dia será mais longo: terá 1 segundo extra. Com essa piscar de olhos, os relógios serão sincronizados com a rotação do planeta. Não é muita coisa, mas é um lembrete importante de que o tempo, esse que conhecemos e é marcado pelos relógios e celulares, não é mais que uma construção humana.


"A rotação da Terra está diminuindo gradualmente, e segundos a mais são uma forma de dar conta disso", afirmou Daniel MacMillan, astrônomo da Nasa, em comunicado da última sexta-feira.
Assim, o último minuto do mês de junho de 2015 vai durar 61 segundos, em vez dos 60 usuais. O fenômeno se explica pela rotação irregular da Terra, e não é novo: desde 1972 eles costumam surgir. O último aconteceu em 2012 e, antes, em 2008.

Isso acontece porque nossos relógios são ajustados de acordo com o Tempo Universal Coordenado (UTC, na sigla em inglês), base para todos os fusos horários. Esse tempo é dado por um sistema de relógios atômicos muito precisos, que calculam a duração de um segundo de acordo com mudanças bastante previsíveis de átomos de césio. É necessário mais de 1,4 milhão de anos para que o césio perca um segundo.

Nosso planeta, entretanto, não é tão bom com as horas. Na teoria, a Terra leva 86 400 segundos em uma rotação (é o número contido em 24 horas). Mas, na prática, a duração é de 86 400,002 segundos. Ou seja, ela está um pouquinho atrasada. Isso acontece por efeito da força de atração gravitacional entre a Lua e o Sol, responsável pelas marés. Também depende de movimentos atmosféricos, variações dos gelos e forças como os terremotos, que tornam o movimento de rotação um pouco mais lento.

Somados, todos esses milissegundos fariam com que os relógios ficassem em descompasso com o planeta. Por isso, os cientistas inserem esse segundo nos relógios com o objetivo de sincronizar a velocidade dos ponteiros com a da Terra.

Sincronia digital - Se, em um dia comum, um segundo pode não fazer muita diferença, para as máquinas, é fundamental. "Os grandes sistemas de navegação por satélite, os principais sistemas de sincronização de redes de computadores, devem levar em conta esta alteração. Se não, correm o risco de 'erros'", explicou Daniel Gambis, diretor do Serviço de Rotação da Terra (sim, tal instituição existe!), em Paris.


No início do ano, a Nasa e o Instituto Internacional de Pesos e Medidas (BIPM), na França, alertou fabricantes e responsáveis pelos sistemas digitais a respeito da alteração. Ela não deverá causar panes ou grandes problemas nos sistemas. Afinal, com esse método, 26 preciosos segundos foram adicionados aos dias desde 1972.

fonte: veja.abril.com.br

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Emissões brasileiras de gases estufa aumentaram 7,8% em 2013

Novo estudo constatou que as mudanças de emissões estão relacionadas ao desmatamento e à geração de energia, com o maior uso de termelétricas.



As emissões brasileiras de gases do efeito estufa aumentaram 7,8% em 2013, comparado ao ano anterior. Os dados, divulgados nesta quarta-feira, são do Seeg (Sistema de Estimativa de Emissões de Gases do Efeito Estufa), sistema paralelo ao do governo federal. Isso significa que a quantidade emitida aumentou de 1,45 bilhão de toneladas de CO2 equivalente (medida usada para comparar emissões de gases do efeito estufa, com base no dióxido de carbono) para 1,56 bilhão.

O novo estudo constatou que as mudanças de emissões estão relacionadas ao desmatamento e à geração de energia, com o maior uso de termelétricas, que necessitam de combustíveis fósseis. O total de emissões por pessoa atingiu 7,8 toneladas de CO2, ante 7,5 toneladas em 2012.

Na divisão por Estado, o Pará é o líder das emissões, com 175,8 milhões de toneladas de CO2 equivalente, a maior parte vinda do desmatamento da Amazônia. Em segundo lugar ficou o Mato Grosso, com 147 milhões de toneladas, também decorrentes principalmente pela destruição da vegetação.

fonte: veja.abril.com.br

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Desmatamento na Mata Atlântica é o maior desde 2008

Com só 8,5% da área original, bioma perdeu mais 235 km² entre 2011 e 2012

A taxa de desmatamento da Mata Atlântica voltou a crescer e o bioma, um dos mais ameaçados do Brasil, registrou a maior destruição desde 2008. Levantamento realizado entre 2011 e 2012 mostra que no período foram destruídos 235 km² de cobertura florestal, vegetação de restinga e mangues da mata – uma área maior do que a superfície do município de Santo André, no ABC paulista.

O levantamento foi realizado pela ONG SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e consta no Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, que é elaborado a partir de imagens captadas por satélites.


No último estudo, realizado entre 2010 e 2011, a taxa anual de desmatamento havia registrado a destruição de 140 km² de mata atlântica. O levantamento deste ano não conseguiu monitorar todos os 17 estados que são cobertos pelo bioma, mas a comparação entre dez estados (BA, ES, GO, MG, MS, PR, RJ, RS, SC e SP)  que foram avaliados regularmente entre 2008 e 2011 mostra que houve um crescimento de 23% no desmatamento desde 2008. Já desde o levantamento o último levantamento de 2010 e 2011, o desmatamento aumentou 29%.  

Hoje, a mata atlântica possui apenas 8,5% da sua cobertura original.

Líder – O estado líder em desmatamento, tal como ocorreu em levantamentos anteriores, continua sendo Minas Gerais. O estado, que possui uma das maiores coberturas remanescentes da mata do país (10,4% do total) foi responsável por quase metade da destruição ocorrida entre os estados que possuem o bioma: 107 km². Houve um crescimento de 70% em relação à área destruída entre 2010 e 2011. 

Em segundo lugar no ranking aparece a Bahia, que perdeu 45 km² de floresta nativa. O Piauí, que foi monitorado pela primeira vez, perdeu 26 km² e já passou a figurar no terceiro lugar do ranking.

Já o Paraná apareceu em quarto, com 20 km² perdidos no período. Segundo o levantamento, o estado se destacou negativamente no levantamento porque registrou um aumento de 50% na taxa de desmatamento com relação a 2010 e 2011. Entre os destaques positivos aparecem o Espírito Santo e Mato Grosso do Sul, que tiveram redução na taxa de desmatamento de 93% e 92% respectivamente.


Nos últimos 27 anos, a Mata Atlântica perdeu um total de 18.269 km² – área equivalente a doze cidades de São Paulo.  

Fonte: veja.abril.com.br

sábado, 18 de maio de 2013

Derretimento das geleiras é responsável por um terço do aumento no nível do mar


Pesquisa mostra que as geleiras do planeta perdem por ano cerca de 259 trilhões de quilos de gelo, que são jogados nos oceanos do planeta

Geleiras são massas de gelo de até 50.000 quilômetros quadrados que se formam sobre as partes terrestres do planeta. Apesar de serem imensas, elas representam apenas 1% do gelo terrestre do mundo. Todo o resto está armazenado nos chamados mantos de gelo, camadas maiores que 50.000 quilômetros quadrados só encontradas na Groenlândia e na Antártida. Uma nova pesquisa mostrou que, apesar de representarem uma quantidade tão pequena do gelo mundial, o derretimento das geleiras é responsável por um terço do aumento no nível do mar medido nos últimos seis anos. O estudo foi publicado na revista Science.




O novo estudo usou dois satélites lançados pela Nasa e expedições terrestres para fazer as medidas mais precisas até agora do quanto as geleiras diminuíram em decorrência do aquecimento do planeta. As medições mostraram que, entre 2003 e 2009, elas perderam 259 trilhões de quilos de gelo por ano. Essa água, jogada nos oceanos, seria responsável por aumentar o nível do mar em 0,7 milímetro ao ano — cerca de 30% de todo o aumento detectado no período. “Pela primeira vez, nós fomos capazes de medir muito precisamente o quanto essas geleiras estão contribuindo para o aumento do nível do mar. Esses corpos menores estão perdendo quase tanta massa quanto os grandes mantos de gelo”, disse Alex Gardner, pesquisador da Universidade Clark, nos Estados Unidos.

O estudo se baseia em dados colhidos pela Universidade do Colorado, que mostra que o nível do mar subiu, em média, 2,2 milímetros por ano durante o período. Segundo os pesquisadores, outro um terço desse aumento seria causado pelo derretimento dos mantos de gelo, e o restante pela expansão térmica da água do mar. “Como a massa global das geleiras é relativamente pequena em comparação aos grandes mantos de gelo, os pesquisadores tendem a não se preocupar com elas. Mas nosso estudo mostra que elas são como um pequeno balde com um grande furo no fundo: ele não deve durar muito — apenas um século ou dois —, mas enquanto houver gelo nas geleiras, elas serão responsáveis por uma grande parte do aumento no nível do mar”, diz Tad Pfeffer, glaciologista da Universidade do Colorado.

Medidas conflitantes — As pesquisas anteriores sobre o derretimento das geleiras eram feitas apenas com base em dados coletados em terra. Os pesquisadores geralmente medem as massas de gelo do cume até uma das pontas da geleira, e extrapolam os dados para toda a área. Esse tipo de técnica costuma ser muito boa para medir massas pequenas e individuais, mas tende a superestimar a perda de gelo em regiões maiores. “Observações em terra costumam ser possíveis apenas nas geleiras mais acessíveis, onde o derretimento é mais rápido do que a média”, disse Gardner.

Para corrigir as distorções, o estudo também usou dados de dois satélites da Nasa: o ICESat e o Grace. O primeiro, que parou de funcionar em 2009, media a altura das geleiras por meio de pulsos de laser que lançava em direção ao solo. Já o Grace, ainda operacional, é capaz de detectar variações no campo gravitacional da Terra que são resultantes de mudanças na distribuição de massa no planeta, incluindo alterações nas massas de gelo. Ao contrário das estimativas terrestres, os satélites não são bons para medir pequenas geleiras, mas medem muito bem as grandes regiões.

Juntando as informações, os pesquisadores descobriram que todas as 19 regiões estudadas perderam gelo entre 2003 e 2009. As geleiras que mais perderam massa ficam nas regiões árticas do Canadá, Alasca e Groenlândia, no sul dos Andes e no Himalaia. Em contraste, as geleiras periféricas da Antártida — pequenos corpos de gelo que não são conectados ao grande manto da região— contribuíram muito pouco para o aumento no nível do mar durante o período.

As estimativas atuais dizem que todas as geleiras do mundo contêm água suficiente para aumentar o nível do mar em sessenta centímetros. Em comparação, o manto de gelo da Groenlândia, que ocupa 1,7 milhão de quilômetros quadrados, tem o potencial de contribuir com cerca de seis metros de água; enquanto o da Antártida, ocupando 14 milhões de quilômetros quadrados, pode contribuir com pouco menos de sessenta metros.

Fonte: veja.abril.com.br

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Plantas "reagem" ao aquecimento global e lançam gases que ajudam a moderar a temperatura


 Pesquisadores comprovam que o aumento nas temperaturas do planeta faz com que as plantas emitam mais gases na atmosfera, contribuindo para combater o aquecimento global. Efeito, porém, é limitado

Os cientistas já previam que as temperaturas cada vez mais altas ao redor do globo poderiam fazer com que as plantas liberassem uma quantidade maior de gases, aumentando a formação de nuvens e esfriando a atmosfera. Eles só não sabiam qual era o tamanho exato desse efeito na compensação do aquecimento global. Um novo estudo publicado neste domingo na revista Nature Geoscience mostra que o vapor emitido pelas plantas realmente contribui para diminuir as temperaturas, mas de forma pouco intensa em escala global. O efeito é mais forte em regiões próximas a grandes florestas e distantes das cidades. "As plantas, ao reagir com as mudanças na temperatura, passam também a moderá-las", diz Pauli Paasonen, pesquisador da Universidade de Helsinque, na Finlândia, e autor do estudo.


Pesquisa anteriores já haviam mostrado que algumas partículas emitidas na atmosfera — chamadas aerossóis — podem esfriar o clima na Terra ao refletir a luz solar e ao contribuir para a formação de nuvens, que refletem a luz de modo ainda mais eficiente. Os efeitos dos aerossóis emitidos pelas plantas, no entanto, ainda não haviam sido completamente entendidos. Os pesquisadores sabiam que eles poderiam reagir com outros aerossóis na atmosfera, criando partículas maiores e mais refletivas, mas não conseguiam provar sua existência em larga escala.

Na pesquisa atual, os cientistas coletaram dados de onze locais diferentes ao redor do mundo, medindo a concentração de aerossóis no ar, a emissão de gases pelas plantas, a temperatura e até a camada onde os gases reagem com as partículas na atmosfera. Como resultado, eles mostraram que esses gases realmente ajudam a diminuir as temperaturas no longo prazo e em escalas continentais — um efeito que é conhecido como feedback negativo.

Segundo o estudo, o efeito desse aumento na emissão de gases é pequeno em escala planetária, evitando apenas 1% do aquecimento global. Em escalas regionais, o efeito observado é maior, com redução de até 30% do aquecimento em áreas rurais e próximas às florestas. "Isso não nos salva do aumento nas temperaturas do planeta. O efeito dos aerossóis no clima é uma das grandes incertezas nos modelos climáticos. Entender esse mecanismo pode ajudar a reduzir essas incertezas e a fazer modelos melhores", diz Paasonen.

Fonte: veja.abril.com.br

quarta-feira, 10 de abril de 2013

No passado, aquecimento global aumentou biodiversidade


Em grandes escalas de tempo, aumento da temperatura favorece mais o surgimento que a extinção de espécies, segundo cientistas britânicos

Uma nova pesquisa mostra que o número de espécies que habitam a Terra aumenta conforme a temperatura do planeta fica mais alta. O dado contrasta com as observações de que o aumento na temperatura está ligado mais ligado à extinção que ao surgimento de espécies. A pesquisa foi publicada nesta segunda-feira na revista PNAS (Proceedings of the NAtional Academy of Sciences ).


Pesquisas anteriores mostravam que a biodiversidade do planeta diminuía com o aquecimento global. Esse dado chamou a atenção dos cientistas, uma vez que a maioria dos estudos ecológicos mostra que a riqueza de espécies vivas, tanto na terra quanto no mar, diminui com a proximidade dos polos do planeta, onde a temperatura é menor.

Os cientistas estranhavam o fato de um aumento na temperatura fazer a biodiversidade diminuir com o passar do tempo, mas aumentar conforme a posição geográfica. Para pôr a teoria à prova, os pesquisadores da Universidade de York, na Inglaterra, estudaram os padrões de biodiversidade de invertebrados marinhos registrados ao longo dos últimos 540 milhões de anos.

Como resultado, descobriram que o calor esteve diretamente ligado a variações na biodiversidade durante toda a história do planeta. As temperaturas elevadas se relacionaram tanto com extinções em massa quanto com o surgimento de novas espécies. No entanto, o número de espécies novas sempre foi maior do que as extinções, resultando num aumento da biodiversidade.

Segundo os pesquisadores, a descoberta mostra que a tendência observada hoje, de grandes extinções ligadas ao aquecimento global, está em desacordo com o registrado no passado do planeta e deve mudar no futuro – eles só não sabem dizer quando. Os cientistas alertam que a pesquisa mostra um aumento da biodiversidade em escalas geológicas de tempo, que podem durar milhões de anos. Até a tendência de hoje se reverter para um aumento da biodiversidade, muito tempo pode passar. E muitas espécies podem ser extintas.

Fonte: veja.abril.com.br

terça-feira, 2 de abril de 2013

Florestas tropicais são capazes de resistir ao aquecimento global


Estudo mostra que florestas da América, Ásia e África podem sobreviver às mudanças climáticas do século 21

Uma nova pesquisa publicada neste domingo mostra que as florestas tropicais correm menos risco de perder sua cobertura vegetal como consequência do aquecimento global do que as previsões mais alarmistas mostravam. Na análise mais completa já feita sobre o perigo de as florestas tropicais entrarem em colapso por causa das emissões de gases do efeito estufas ao longo do século 21, os pesquisadores mostraram que elas serão capazes de suportar a maior parte dos danos trazidos pelo aumento de temperatura. O estudo foi publicado na revista Nature Geoscience.


Como as florestas são capazes de armazenar uma grande quantidade de carbono, sua capacidade de resistir aos efeitos do aquecimento global é importante para o planejamento de novos programas de redução de emissão de gases do efeito estufa e de combate ao aquecimento do planeta. No entanto, essa capacidade era, até agora, incerta. "Desde os anos 2000 que se discute sobre a capacidade de a Amazônia resistir às mudanças climáticas. Algumas previsões eram muito catastróficas, mas a incerteza dos modelos usados na época ainda era muito grande", disse José Marengo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e um dos autores da pesquisa, em entrevista ao site de VEJA.

Para realizar esse tipo de medição, os pesquisadores têm de lidar com dois tipos de incerteza. Uma delas leva em conta os diferentes aumentos de temperatura projetados para o século 21, e a outra é referente aos processos fisiológicos das plantas, que ainda não estão completamente desvendados. Por causa disso, os pesquisadores usaram simulações de computador para calcular a resiliência das florestas em 22 modelos diferentes, com aumentos de temperatura que iam até quatro graus Celsius. Os cálculos levaram em conta as florestas tropicais da América, Ásia e África.

Como resultado, descobriram que em 21 dos 22 modelos as florestas seriam capazes manter sua cobertura vegetal — ou recuperá-la— após o aumento de temperatura. Em apenas um caso houve uma diminuição nas florestas, e apenas na América. "A pesquisa mostra que não chegaremos ao extremo de as florestas desaparecerem. Na maior parte dos casos, elas podem até perder uma pequena parte de seu estoque de carbono, mas não chegarão a perder tanta massa a ponto de entrar em colapso", disse Marengo.

Incertezas – Ao comparar os diferentes modelos, os pesquisadores descobriram que a maior parte das incertezas nessa medição vem dos processos fisiológicos das plantas, e não das diferentes projeções de aquecimento global. "A grande surpresa em nossa análise é que a incerteza nos modelos ecológicos das florestas tropicais é significantemente maior do que a incerteza vinda das diferenças nas projeções do clima", diz David Galbraith, pesquisador da Universidade de Leeds, na Inglaterra, que participou da pesquisa.

Apesar de o estudo sugerir que o risco de as florestas sofrerem danos por causa do aquecimento global são pequenos, os pesquisadores deixam claro que não se trata de um sinal verde para a emissão de gases do efeito estufa. Eles lembram, por exemplo, que seus modelos não levaram em conta as queimadas e a derrubada intencional das florestas, que também podem afetar a quantidade de carbono armazenado. "A pesquisa não pode ser interpretada como um sinal para continuar desmatando e liberando gás carbônico na atmosfera. Ela apenas mostra que o cenário não é catastrófico: as florestas perderão robustez, mas continuarão sendo florestas", afirmou José Marengo. "Descobrimos que a floresta é razoavelmente resistente às mudanças climáticas. Não podemos continuar puxando essa resistência em direção ao colapso".

Fonte: veja.abril.com.br

quarta-feira, 27 de março de 2013

Estudo mostra que indicadores utilizados em políticas de preservação da Amazônia são pouco eficazes


Cientistas não encontram relação entre o estado real de conservação e a previsão fornecida por ferramenta criada para assessorar investimentos
Pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, e do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), no Brasil, estão questionando os indicadores utilizados atualmente para nortear a política de investimentos em áreas de preservação da Amazônia. Em um estudo publicado no periódico Environmental Research Letters, os autores mostram que não há uma associação significativa entre o estado de conservação de áreas e a previsão fornecida pela ferramenta Rapid Assessment and Prioritisation of Protected Area Management (Rappam).


Atualmente presente em mais de 50 países, o Rappam foi desenvolvido pelo World Wide Fund for Nature (WWF) que tem como objetivo ajudar a priorizar intervenções para melhorar o gerenciamento de áreas de preservação.  Ele funciona por meio de questionários enviados aos gestores das áreas preservadas, que devem avaliar 90 quesitos.

“Existem duas explicações possíveis para nossos resultados: ou o Rappam não mede corretamente os fatores ou o está medindo fatores que não são importantes para o sucesso da preservação das áreas”, explica Christoph Nolte, um dos autores do estudo.

Os pesquisadores analisaram 66 áreas de preservação na Amazônia brasileira e as compararam com uma parcela de floresta semelhante, fora da área de preservação. Utilizando imagens de satélites, eles calcularam os níveis de devastação em cada uma dessas áreas e, assim, estimaram a quantidade de devastação que cada uma teria sofrido se não fosse protegida.

Diante disso, os autores verificaram se as pontuações fornecidas pela ferramenta estavam relacionadas ao sucesso em evitar a devastação apresentado pelas diferentes regiões. Os resultados, porém, mostraram que não foram encontradas associações estatisticamente significativas entre o desflorestamento evitado e os indicadores que, de acordo com o Rappam, tornam uma região alvo prioritário de investimentos de conservação, como orçamento, equipe e ferramentas.

Disputa por terra — O único indicador do Rappam que foi fortemente relacionado à capacidade de evitar a devastação ambiental foi a ausência de conflitos pela posse da terra. Quando não havia disputas pelo território, o sucesso da região em evitar o desmatamento era maior. Para os autores, isso significa que os conflitos pela posse da terra podem ser um fator tão importante que acabe tirando o impacto dos demais.

Fonte: veja.abril.com.br