FLORESTAS TROPICAIS SÃO CAPAZES DE RESISTIR AO AQUECIMENTO GLOBAL

Uma nova pesquisa publicada neste domingo mostra que as florestas tropicais correm menos risco de perder sua cobertura vegetal como consequência do aquecimento global do que as previsões mais alarmistas mostravam.

NASA PLANEJA CAPTURAR ASTEROIDE E COLOCÁ-LO EM ÓRBITA DA LUA

A Nasa anunciou nesta quarta-feira o projeto de capturar um pequeno asteroide, colocá-lo em órbita da Lua e explorá-lo cientificamente.

CIENTISTAS DIZEM QUE UM COMETA, NÃO UM ASTEROIDE, CAUSOU A EXTINÇÃO DOS DINOSSAUROS

Dupla de pesquisadores afirma que o corpo celeste que atingiu o planeta era menor e mais rápido que um asteróide

NO PASSADO, AQUECIMENTO GLOBAL AUMENTOU A BIODIVERSIDADE

Em grandes escalas de tempo, aumento da temperatura favorece mais o surgimento que a extinção de espécies, segundo cientistas britânicos.

VULCÕES EXTINGUIRAM METADE DAS ESPÉCIES DA TERRA HÁ 200 MILHÕES DE ANOS

Utilizando um novo processo de datação de rochas, pesquisadores americanos relacionaram com precisão um intenso período de erupção vulcânica à extinção de cerca de metade das espécies existentes...

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sábado, 19 de setembro de 2015

Novo vírus gigante “volta à vida”

Um vírus gigante que permaneceu 30 000 anos dormente na superfície gelada da Sibéria, voltou à vida em laboratórios franceses. Batizado Mollivirus sibericum, o novo tipo de vírus tem 0,6 micrômetro de comprimento (1 micrômetro equivale à milésima parte do milímetro) e contém 650 000 genes. Ele não oferece risco aos humanos, mas sua descoberta, publicada nesta segunda-feira (7) na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), revela que vírus como esse podem permanecer contagiosos por milênios. No futuro, devido às mudanças climáticas e à exploração de regiões árticas, eles poderiam se tornar uma ameaça.


O novo vírus foi encontrado em uma camada do solo siberiano chamada permafrost, formada por gelo, terra e rochas congeladas, a 30 metros da superfície. Ele foi descoberto pela mesma equipe de cientistas do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS, na sigla em francês) que, em 2014, ressuscitou o Phitovirus sibericum, o maior vírus já visto pela ciência. Eles voltaram à Sibéria, com o objetivo de descobrir mais detalhes sobre os vírus gigantes que estão nessa camada e encontraram a nova espécie. Após descongelado, o Mollivirus infectou amebas da família Acanthamoeba castellanii, hospedeira de micro-organismos gigantes. Ele foi capaz de se reproduzir e fazê-las morrer.

Mudanças climáticas - Vírus gigantes (para receber o nome de "gigante" ele precisa ter mais de 0,5 micrômetro) como os vistos na Sibéria infectam exclusivamente estruturas unicelulares, como a ameba, porque é fácil entrar nelas. Elas se alimentam por um processo chamado fagocitose, que engloba partículas - como o vírus gigante. A maior parte das células humanas e de outras células animais têm processos de defesas mais sofisticados e, por isso, os vírus que as afetam usam estratégias mais complexas de entrada. Essa é a razão por que vírus como o da gripe são cerca de cem vezes menores que os vírus gigantes e têm apenas uma dezena de genes (o da gripe tem 13 genes).

Uma das preocupações dos cientistas é a comprovação de que vírus assim podem manter seu poder de contágio por muito mais tempo que o esperado. Em vez de serem eliminados do planeta, eles permanecem inativos, passando uma falsa sensação de segurança. A apreensão é por que, com as mudanças climáticas, a camada do permafrost, que permanece congelada, está cada vez mais fina e suscetível ao degelo - a cada ano, ela perde até 40 centímentos. Isso poderia "acordar" os vírus gigantes e outros micro-organismos potencialmente perigosos que estão dormentes ali.

"Algumas partículas virais ainda infecciosas podem, em presença de um hospedeiro favorável, serem suficientes para fazer ressurgir um vírus potencialmente perigoso nas regiões árticas, cada vez mais exploradas por seus recursos minerais e petrolíferos e cuja acessibilidade e exploração industrial são facilitadas pelas mudanças climáticas", afirmaram os autores em comunicado do CNRS.

Em entrevista à rede francesa France Info, Jean Michel Claverie, professor de medicina na Universidade Aix - Marseille, na França, e um dos autores da pesquisa, afirmou que é possível que os vírus gigantes sejam uma ameaça futura - afinal, vírus são estruturas com alto potencial para mutações. "O aquecimento torna acessíveis lugares até então inacessíveis ao homem. E então, vírus que nunca haviam sido perturbados vêm à tona. Mas, se pessoas colonizarem aquela região, é possível que façam ressurgir velhos horrores do passado, inclusive doenças já erradicadas".


fonte: veja.abril.com.br

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Cientistas descobrem primeiros mamíferos a subir em árvores e cavar buracos

"Sabemos que os mamíferos modernos são espetacularmente diversos, mas não se sabia se os mamíferos primitivos também eram", afirma pesquisador.
Cientistas descobriram fósseis do que podem ser os primeiros mamíferos a subir em árvores e cavar buracos. Eles habitavam a região onde hoje fica a China e são uma evidência de que, no período de maior êxito dos dinossauros sobre a Terra, os mamíferos se adaptaram ao ambiente. Segundo os autores do estudo, os cientistas não imaginavam que os mamíferos fossem tão desenvolvidos naquela época.


Os animais identificados são o Agilodocodon scansorius, arborícola mais antigo descoberto até agora, e o Docofossor brachydactylus, o mamífero subterrâneo mais antigo que se conhece. Realizada por pesquisadores da Universidade de Chicago e do Museu de História Natural de Pequim, a pesquisa foi publicada na quinta-feira na revista Science.

As duas novas espécies, que provêm de grupos extintos dos primeiros mamíferos, tinham características desenvolvidas milhões de anos antes do que era estimado pelos cientistas. Os animais descobertos nesta pesquisa são do Período Jurássico e viveram entre 170 e 145 milhões de anos atrás.
Características — O Agilodocodon scansorius tinha cerca de 13 centímetros da cabeça até a cauda e pesava por volta de 27 gramas, como um pequeno roedor dos dias de hoje. Ele tinha aparência de um esquilo com focinho longo. Já o Docofossor brachydactylus se parecia com a toupeira dourada da África. Estima-se que ele media 7 centímetros, pesava 16 gramas e tinha dedos próprios para cavar. Ao contrário da maioria dos mamíferos, possuía apenas duas falanges (segmentos ósseos) nos dedos.

"Sabemos que os mamíferos modernos são espetacularmente diversos, mas não se sabia se os primitivos também eram", explicou o líder da pesquisa, Zhe-Xi Luo, professor da Universidade de Chicago. Os novos fósseis "ajudam a demonstrar que os primeiros mamíferos também tiveram uma ampla diversidade ecológica", completa.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Insetos surgiram há 480 milhões de anos, diz estudo

Os primeiros insetos voadores teriam se originado há 400 milhões de anos, quase 200 milhões de anos antes de os pterossauros desenvolverem a mesma habilidade.



Os primeiros insetos que habitaram o planeta surgiram há cerca de 480 milhões de anos, e 80 milhões de anos depois desenvolveram a habilidade de voar. A descoberta é de uma pesquisa publicada nesta sexta-feira na revista Science, na qual participaram mais de cem cientistas de dezesseis países.
“Nossa pesquisa mostra que os insetos se originaram ao mesmo tempo em que as primeiras plantas terrestres, há cerca de 480 milhões de anos”, disse o diretor da Coleção Nacional Australiana de Insetos da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), David Yeates, em comunicado da organização. “Os primeiros insetos provavelmente se pareciam com a atual traça”, disse o cientista. Essa data é 70 milhões de anos anterior ao fóssil de inseto mais antigo já encontrado.

Os pesquisadores analisaram 1 478 genes de 144 espécies, abrangendo todos os principais grupos de insetos. Segundo eles, os primeiros provavelmente evoluíram de um grupo de crustáceos venenosos denominado Remipedia. "Há 480 milhões de anos, os oceanos estavam cheios de vida, mas sobreviver fora da água era desafiador", descreve Karl Kjer, biólogo da Universidade Rutgers, em New Jersey, nos Estados Unidos, que também participou do estudo. "As plantas e os insetos evoluíram simultaneamente, um afetando o outro."
Alçando voo — Os primeiros insetos voadores teriam se desenvolvido há 400 milhões de anos. "Essa transformação, que ocorreu quando as plantas terrestres começaram a atingir altura, demonstrou a capacidade dos insetos de se adaptar rapidamente às mudanças ambientais", explicou Yates. Quase 200 milhões de anos se passariam até que os pterossauros desenvolvessem a capacidade de voar.

"Dois terços de todas as espécies animais são insetos", lembra Bernhard Misof, pesquisador do Museu Alexander Koenig de Pesquisa Zoológica, na Alemanha, um dos líderes do estudo. "Eles são partes importantes no ecossistema terrestre, junto com as plantas."

fonte: veja.abril.com.br

sábado, 16 de novembro de 2013

Seu cachorro é um gênio — saiba o porquê

Neurocientista especialista em antropologia evolutiva afirma que o cão é o segundo mamífero mais bem-sucedido do planeta, atrás apenas dos humanos


Em um mundo em que o nascimento de bebês cai, a população de cães de estimação aumenta. É cada vez mais comum encontrar animais cercados de mimos, tratados como filhos pelos donos. O sucesso dos cachorros entre os humanos se explica pela genialidade canina, segundo Brian Hare, neurocientista fundador do Centro de Cognição Canina da Universidade Duke, nos EUA, e sua mulher, a jornalista e cientista Vanessa Woods, autores do livro Seu Cachorro É um Gênio! (Ed. Zahar), que chega às lojas nesta quinta-feira.

Baseados em um conjunto de trabalhos sobre o assunto que apelidaram de caninognição – ou seja, a cognição dos cães –, os autores chegaram à conclusão de que o processo evolutivo que transformou lobos em cachorros domésticos fez com que os animais adquirissem um novo tipo de inteligência social.

Essa inteligência teria tornado os cães muito semelhantes a bebês humanos, em termos de comportamento e de habilidades de comunicação – conquistando seus donos definitivamente. De acordo com Brian Hare, depois dos seres humanos, os cachorros são os mamíferos mais bem-sucedidos do planeta, superando até mesmo os chimpanzés, famosos por sua esperteza.

Fonte: veja.abril.com.br


segunda-feira, 25 de março de 2013

Alzheimer pode ser “efeito colateral” da evolução do cérebro

A doença de Alzheimer pode ser um “efeito colateral” ocasionado pela evolução do cérebro do homem, ao menos segundo as conclusões de um estudo publicado nesta semana, no periódico Journal of Alzheimer’s Disease. De acordo com a pesquisa, a doença está associada à vulnerabilidade de uma determinada região do cérebro responsável pela cognição.


A pesquisa, feita pelo Centro Nacional de Investigação sobre a Evolução Humana, na Espanha, estudou a doença em sua fase inicial. De acordo com o trabalho, nessa etapa, o Alzheimer é caracterizado por um defeito metabólico no lobo parietal do cérebro — uma região do órgão responsável pela capacidade cognitiva e que diferencia o homem dos outros animais, inclusive dos demais primatas.

O desenvolvimento dessa área do cérebro, que não é encontrada em outras espécies, é considerado pelos pesquisadores como a maior mudança no cérebro humano nos últimos cinco milhões de anos. Os autores sugerem que a vulnerabilidade dessa região cerebral esteja associada à origem da espécie, pois o desenvolvimento do lobo parietal nos humanos modernos influenciou a organização espacial do cérebro, provocando mudanças na vascularização e no controle de energia, o que torna essa área sensível aos danos metabólicos relacionados à doença.

Para Emiliano Bruner, um dos autores do estudo, o trabalho abre um novo campo de pesquisa sobre a doença, que até agora era associada aos danos celulares nas áreas temporais e frontais do cérebro. Ele acredita que os prejuízos nessas áreas não são a causa da doença, mas uma de suas consequências.
De acordo com o pesquisador, a identificação do lobo parietal como origem do Alzheimer poderia justificar o fato de a doença não afetar outras espécies, uma vez que se trata de uma zona cerebral presente apenas no Homo sapiens. Burner acredita que a seleção natural não eliminou o Alzheimer porque a doença surge principalmente em idades avançadas, quando o indivíduo já não pode mais se reproduzir.

Fonte: veja.abril.com.br

As cicatrizes da evolução humana

Complicações no parto, hérnias de disco, dentes do siso, dores nas costas e nos pés. A mesma seleção natural que permitiu à espécie humana sobreviver por milênios também é responsável por boa parte do sofrimento que a acompanhou durante todo esse tempo.


O ser humano não é um projeto acabado. Ele é produto de milhões de anos de seleção natural: uma sucessão de mudanças genéticas aleatórias que ajudaram na sobrevivência do indivíduo e se acumulam no DNA da espécie. As mudanças são lentas e nem sempre levam em conta o bem-estar do indivíduo. A prova disso está no próprio corpo do Homo sapiens — mais precisamente, nas falhas desse corpo. A dor de dente, a hérnia de disco, o joanete e o complicado parto humano são algumas das mostras de que o homem surgiu a partir de uma enorme sucessão de tentativas e erros — e não foi feito para durar muito. “Desde Darwin sabemos que não somos perfeitos. A evolução produz função e não perfeição. Para a espécie se desenvolver, basta que o organismo sobreviva o suficiente para passar seus genes adiante”, afirma Jeremy de Silva, antropólogo da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, que apresentou uma palestra sobre o tema no Encontro Anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, realizado entre os dias 14 e 18 de fevereiro em Boston, nos Estados Unidos.

As falhas de projeto começam na própria fundação do corpo humano: o esqueleto. As espécies das quais o homem descende andavam sobre as quatro patas. Quando os ancestrais humanos passaram a se locomover sobre os dois pés, adquiriram imensa agilidade e ganharam uma liberdade inédita para suas mãos. Mas, para isso, sua coluna vertebral teve de passar por um rearranjo radical. “A coluna de nossos ancestrais se organizava na horizontal. Quando ficamos bípedes, tivemos de empilhar todos os ossos que estavam nessa coluna, e ainda colocamos a cabeça no topo. Fazer com que esse novo arranjo seja capaz de equilibrar todo o peso do corpo é pedir para ter problemas”, diz Bruce Latimer, antropólogo na Universidade Case Western Reserve, nos Estados Unidos, que também participou da palestra.

A dor na região lombar, por exemplo, está entre as mais comuns da espécie humana — 80% dos adultos vão senti-la em algum momento da vida —, e é causada diretamente por essa postura bípede. Segundo o antropólogo, a coluna humana adquiriu uma série de curvas para equilibrar todo esse peso, resultando em um formato de S. Isso faz com que alguns pontos acabem sofrendo mais pressão que outros, podendo levar à lordose, cifose e escoliose, transtornos que acontecem, respectivamente, quando a coluna vertebral se curva demais para dentro, fora ou para os lados, podendo provocar dor de forma crônica.


A espinha pode ser danificada pelo próprio modo como os seres humanos se locomovem: colocando um pé para frente de cada vez e mexendo as mãos de forma inversa, para manter o equilíbrio. “Ao fazer isso, torcemos a coluna milhões de vezes ao longo da vida”, diz Bruce Latimer. A torção constante pode levar ao deslocamento de um dos discos cartilaginosos que formam a coluna. Se esse deslocamento pressionar um dos nervos locais, a dor pode se tornar insuportável — é a hérnia de disco. Segundo o antropólogo, nenhum desses problemas é comum entre os outros primatas, que ainda mantêm a locomoção sobre as quatro patas. Essas dores são parte da condição humana.

Sofrimento antigo — Segundo os pesquisadores, se um engenheiro tivesse de desenvolver o corpo humano, o resultado seria totalmente diferente do atual. Um exemplo disso é o formato de seu pé. “O pé do atleta paralímpico Oscar Pistorius é um exemplo de um órgão bem projetado: feito de uma simples lâmina, desenhado para suportar o peso e perfeito para o movimento”, diz Jeremy de Silva. O pé humano, ao contrário, não surgiu de uma prancheta, mas é o produto modificado de seus ancestrais primatas. Ele é uma estrutura móvel, formada por 26 peças — os ossos — presas em seus lugares pelos ligamentos e músculos. “É o equivalente evolutivo a clipes de papel e fita adesiva”, diz de Silva. Se o pé se mantém assim até hoje, é porque cumpre sua função, sustentando todo o peso do corpo e permitindo enorme mobilidade. No entanto, as consequências disso são entorses no tornozelo, inflamações nas plantas dos pés, pés chatos e joanetes”.

Nenhum desses problemas, das dores nas costas às dos pés, é causado apenas pelo estilo de vida moderno. Mesmo que o sedentarismo e o uso de calçados possa piorar grande parte dessas condições, nenhuma é causada unicamente por isso. Diversos fósseis antigos apresentam indícios de que o corpo humano sempre possuiu uma série de defeitos intrínsecos. “Lucy, o famoso fóssil de um Australopithecus afarensis que viveu há mais de três milhões de anos, já apresentava sinais de problemas na coluna”, diz Bruce Latimer. Pode parecer estranho o fato de esses defeitos serem tão antigos e, mesmo assim, não terem sido eliminados durante a evolução da espécie humana. Mas a maioria desses problemas só aparece tardiamente na vida do indivíduo, perto dos 50 anos, passada sua idade reprodutiva. A partir do momento em que ele já transmitiu seus genes para a geração seguinte, a seleção natural deixa o indivíduo por sua conta e risco. Hoje em dia, com a humanidade vivendo cada vez mais, essas falhas ganham mais destaque.

Projeto sem fim — A evolução não deixou apenas cicatrizes na espécie humana, mas também feridas abertas. Os Homo sapiens atuais não são apenas produto da seleção natural, mas seus agentes diretos — ela ainda está acontecendo em seus corpos. O exemplo mais claro disso é a presença — e a ausência — dos dentes do siso. Os ancestrais humanos possuíam grandes maxilares, com espaço suficiente para o desenvolvimento completo dos dentes posteriores, como os molares e pré-molares. Com o aumento progressivo do cérebro ao longo dos milênios, o crânio humano começou a se organizar de modo diferente. O espaço destinado para a caixa craniana cresceu, às custas das partes inferiores da cabeça. Com isso, o maxilar não era mais capaz de suportar os antigos 32 dentes. Muitas vezes, o terceiro molar, o último dente a nascer, não conseguia mais se desenvolver por completo. Em alguns casos, ele crescia na direção horizontal, pressionando o resto da arcada dentária ou danificando o tecido mole da boca.

Fato é que a evolução humana ainda não acabou — e nunca vai acabar, enquanto a espécie existir — , mas os cientistas não fazem ideia sobre o caminho que irá traçar daqui para frente. As possibilidades são muitas e o processo é extremamente lento. “Sabemos que a evolução não cria características a partir do nada. Ela faz o melhor com o material que já existe” diz Jeremy de Silva. A partir do material disponível, o que dá para adiantar é que, independente da mudança a caminho, os humanos vão continuar funcionais, mas imperfeitos.

Fonte: veja.abril.com.br

Vulcões extinguiram metade das espécies da Terra há 200 milhões de anos


Utilizando um novo processo de datação de rochas, pesquisadores americanos relacionaram com precisão um intenso período de erupção vulcânica à extinção de cerca de metade das espécies existentes na Terra há 200 milhões de anos, a chamada Quarta Grande Extinção. O evento teria aberto o caminho para a evolução dos dinossauros e sua dominação do planeta pelos 135 milhões de anos seguintes, até que estes também foram extintos.


No estudo, publicado online nesta quinta-feira na revista Science, os pesquisadores utilizaram uma nova técnica de análise da decomposição de isótopos de urânio para determinar a idade das rochas formadas a partir do resfriamento do magma das grandes erupções. As análises foram feitas em basaltos coletados nos Estados Unidos e no Marrocos. Essas rochas são provenientes da Província Magmática do Atlântico Central (Camp, na sigla em inglês), resultado de uma série de grandes erupções ocorridas há cerca de 200 milhões de anos, quando todos os continentes se encontravam ligados como um só.  Pesquisadores estimam que essas erupções tenham despejado cerca de 10,4 milhões de quilômetros cúbicos de lava durante 600.000 anos.

Os pesquisadores conseguiram determinar com precisão a data da Extinção do Triássico-Jurássico: 201.564.000 anos atrás, exatamente o período da intensa atividade vulcânica da Província Magmática do Atlântico Central. Os gases liberados pelas erupções, em especial o gás carbônico, teriam provocado o aquecimento do planeta e comprometido a sobrevivência de parte das espécies.

Estudos anteriores já haviam sugerido uma ligação entre a Camp e a Quarta Grande Extinção, mas eles trabalhavam com margens de erro de 1 a 3 milhões de anos, enquanto a nova margem é de apenas alguns milhares de anos, um valor baixo do ponto de vista geológico.

Futuro – A extinção dos dinossauros, atribuída à queda de um meteorito, é considerada a quinta e última extinção em massa pela qual a Terra passou. Alguns cientistas sugerem que o planeta esteja passando atualmente por uma sexta extinção, causada pelo homem. A queima de combustíveis fósseis libera quantidades imensas de gás carbônico na atmosfera, causando aumento da temperatura, desequilíbrio dos ecossistemas e aumento a acidez das águas.

"A extinção do Triássico-Jurássico é análoga aos dias de hoje. A partir do estudo dos registros geológicos, é possível saber muito sobre o impacto do aumento da quantidade de gás carbônico na atmosfera sobre a temperatura do planeta, acidez dos oceanos e manutenção da vida na Terra ", afirma Terrence Blackburn, um dos autores do estudo.

Fonte: veja.abril.com.br