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sábado, 3 de outubro de 2015
Nasa prepara missão para desviar rota de asteroide
Para evitar que um asteroide caia sobre a Terra, cientistas
da Nasa e da ESA, as agências espaciais americana e europeia, anunciaram
detalhes de uma nova missão: desviar a rota um asteroide real como uma forma de
teste. O projeto foi revelado na quarta-feira no Congresso Europeu de Ciência
Planetária.
A missão, batizada de Aida (Avaliação de Impacto e Desvio de
Asteroide) já tem alvo: um sistema binário, que é composto por um asteroide
maior, o Didymos (possui 750 metros de comprimento) e outro que o orbita, o
Didymoon (tem 160 metros).
O plano geral da missão Aida é dividido em duas partes: a
Nasa irá enviar um sonda-projétil para colidir com o Didymoon, enquanto a ESA
irá cuidar da observação do acontecimento, por meio de outra sonda, posicionada
no local para registar e analisar as consequências do impacto. De acordo com os
cientistas, estima-se que os equipamentos sejam lançados a partir de 2020 para
atingir o asteroide em 2022.
Batizada de AIM (Missão de Impacto de Asteroide, na sigla em
inglês), a sonda europeia da ESA tem como objetivo mapear e compreender melhor
as características do Didymos e fazer dois tipos de lançamentos: pequenos
satélites e um módulo de aterrissagem no mesmo asteroide. Já a sonda da Nasa,
que pesa 300 quilos e é conhecida como Dart (Teste de Redirecionamento de
Asteroide Duplo), está destinada a colidir com Didymoon em 2022. De acordo com
os cientistas, o choque, com velocidade de 22.500 quilômetros por hora, irá
perfurar o asteroide para se alojar em seu núcleo.
Segundo os especialistas, o projeto, que ainda não teve o
orçamento divulgado, fará uma análise das alterações que a sonda pode fazer na
órbita de um asteroide. "Para proteger a Terra de impactos potencialmente
perigosos, precisamos entender melhor esses astros - de que são feitos, qual
sua estrutura, origens e como eles respondem às colisões. Aida será a primeira
missão para estudar um sistema binário de asteroides, assim como a primeira a testar
se podemos desviar esse astro através de um impacto com uma nave
espacial", disse Patrick Michel, cientista planetário da ESA e um dos
líderes da nova missão.
Impacto de um asteroide - Os asteroides são grandes corpos
rochosos que orbitam em torno do Sol, mas possuem uma massa bem menor em
comparação aos planetas. Por não terem uma forma definida, podem apresentar as
mais diversas aparências. Didymos é um desses astros que possuem luas, no caso,
a Didymoon.
Constantemente, os asteroides estão envolvidos em boatos
apocalípticos. No último mês de agosto, a Nasa divulgou um comunicado que
desmentia rumores de que um asteroide gigante iria se chocar com a Terra e
destruir grande parte das Américas, entre 15 e 28 de setembro.
fonte: veja.abril.com.br
sábado, 26 de setembro de 2015
Prepare-se para o incrível eclipse deste domingo
Um dos mais principais e mais belos eventos astronômicos do
ano acontece na noite deste domingo (27). A partir das 23h11, será possível
observar um eclipse total da Lua, quando ela fica totalmente encoberta pela
sombra da Terra, junto com uma Superlua, momento em que o satélite está o mais
próximo possível do planeta. Isso significa que, durante o eclipse, a Lua vai
parecer maior e mais brilhante, prometendo um incrível evento para a observação.
A coincidência entre os dois fenômenos é relativamente rara - a última foi em
1982 e a próxima irá acontecer novamente apenas em 2032.
Durante o eclipse total, a Lua irá adquirir uma coloração
avermelhada, o que lhe deu o apelido de "Lua de Sangue". A tonalidade
surge porque, no momento em que passa pela atmosfera terrestre, a radiação do
Sol é "filtrada" e ganha a cor vermelha. "Além disso, essa luz
também é 'espalhada' na atmosfera e jogada na Lua, que a reflete", explica
Rundsthen Nader, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e
astrônomo do Observatório do Valongo, na UFRJ. "É o mesmo fenômeno que
ocorre durante o pôr do Sol."
Além da coincidência entre o eclipse total e a Superlua,
este será também o último eclipse de uma tétrade, como é chamado o conjunto de
quatro eclipses totais da Lua que ocorrem em sequência durante dois anos. Esse
evento é especial porque eclipses normalmente se intercalam entre totais,
parciais (quando a Lua fica parcialmente encoberta pela parte mais escura da
sombra da Terra) e penumbrais (quando a parte mais clara da sombra da Terra
encobre a Lua). A tétrade é relativamente rara: no século XXI haverá apenas
oito delas. A que termina neste domingo será a segunda - a primeira ocorreu de
2003 para 2004, e a terceira será em 2032 e 2033.
Fases do eclipse - O Brasil estará em uma posição
privilegiada para observar o fenômeno, visível em todos os Estados. Este
eclipse poderá ser visto em toda a América do Sul, partes da América do Norte,
Europa, Ásia e África.
"Os brasileiros terão a visão ideal, pois durante o ápice
do fenômeno, a Lua estará bem alta, no meio do céu, sem qualquer obstáculo para
a observação", explica Cristóvão Jacques, do observatório Sonear (Southern
Southern Observatory for Near Earth Asteroids Research), em Minas Gerais.
A sombra da Terra começará a passar pela Lua às 21h12 do
domingo, em uma fase chamada penumbral, a porção mais clara da sombra e quase
imperceptível. A partir das 22h07, a Lua começa a penetrar a umbra, a parte
mais escura da sombra, e às 23h11 tem início a fase total - é nesse momento que
a coloração avermelhada começa a surgir e o halo ao redor da Lua passa a ser
visível. O auge do fenômeno será às 23h47, quando a Lua estará completamente
coberta pela sombra da Terra, etapa que será concluída 0h23. Após esse momento,
a Lua começa a deixar a sombra e, às 2h22 volta a aparecer clara e brilhante no
céu.
"Esse será um eclipse diferente dos últimos no país,
pois todas as fases serão bem visíveis. Normalmente, por causa da localização,
nem todas as etapas podem ser vistas", explica Jacques.
Para ver - De acordo com os astrônomos, a melhor observação
do fenômeno será feita a olho nu, sem a utilização de binóculos e telescópios.
Os equipamentos podem oferecer detalhes, como a movimentação da somba sobre a
Lua. "Ele poderá ser visto até mesmo das grandes cidades, mas um lugar
mais afastado da iluminação artificial é melhor", diz Gustavo Rojas,
astrofísico da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR).
Como o fenômeno é de longa duração - a fase com aspecto
vermelho-alaranjado dura uma hora e doze minutos - os astrônomos sugerem um
local tranquilo e a utilização de cadeiras de praia ou espreguiçadeiras
confortáveis para facilitar a observação.
O céu claro, condição essencial para a visualização do
fenômeno, deve aparecer na maior parte do país. Nas regiões Sul, Sudeste,
Centro Oeste e Nordeste , o tempo deve seguir firme e seco, com algumas
pancadas de chuva em Santa Catarina, no Paraná, São Paulo, Sul de Minas Gerais
e do Rio de Janeiro. No Norte do país haverá algumas nuvens e previsão de
chuvas no Sudoeste do Amazonas e Acre.
fonte: veja.abril.com.br
sábado, 12 de setembro de 2015
Novas (e incríveis) fotos revelam que Plutão tem a superfície mais complexa do Sistema Solar
Desde o rasante histórico sobre Plutão, em 14 de julho, a
sonda New Horizons vem trazendo informações inéditas e surpreendentes. A
revelação e análise de uma série de fotos feitas a 12.390 quilômetros de
altitude, o ponto mais próximo que a missão alcançou da superfície, mostrou aos
astrônomos o relevo mais complexo já visto no Sistema Solar. As novas imagens,
divulgadas nesta quinta-feira (10) indicam uma variedade tão grande de
diferentes aspectos da superfície do planeta anão que os cientistas ficaram
"atônitos e desconcertados", de acordo com a Nasa.
"Plutão está nos mostrando uma diversidade geográfica e
processos tão complexos que rivalizam com qualquer coisa que já vimos no
Sistema Solar", disse o astrônomo Alan Stern, líder da missão New Horizons
e cientista do Southest Research Institute, nos Estados Unidos (SwRI, na sigla
em inglês), no comunicado da Nasa. "Se um artista tivesse pintado esse
Plutão antes do rasante, eu provavelmente diria que ele exagerou - mas é
exatamente o que está lá."
As imagens foram recebidas no último fim de semana e trazem
uma excelente resolução de 400 metros por pixel. As fotos mostram dunas, fluxos
de gelo de nitrogênio (que parecem escorrer das montanhas para as planícies), e
vales que podem ter sido esculpidos por substâncias que flutuam pela
superfície. Há também amplas regiões com montanhas caoticamente reunidas,
resquícios de terrenos que irromperam de Europa, a Lua gelada de Júpiter.
Para os cientistas, o mais impressionante e difícil de
compreender é a formação das dunas. Há regiões escuras que, à primeira vista,
parecem desenhadas pelo vento, algo que os astrônomos imaginavam impossível
antes do rasante.
"Enxergar dunas em Plutão - e é exatamente o que vemos
- é completamente louco, porque sua atmosfera atual é muito fina. Ou ele teve
uma atmosfera mais espessa no passado, ou alguns processos que ainda não
compreendemos estão atuando ali. É um quebra-cabeça", disse o astrônomo
William McKinnon.
New Horizons - Após percorrer 4,8 bilhões de quilômetros,
desde que foi lançada pela Nasa, em janeiro de 2009, a sonda New Horizons
chegou a 12.390 quilômetros de Plutão para fazer fotos e recolher material de
sua atmosfera. As imagens já divulgadas pela agência espacial americana
mostraram coim riqueza de detalhes as cinco luas do planeta-anão (Charon, Styx,
Nix, Kerberos e Hydra), bem como a superfície e a atmosfera do corpo celeste,
envolvido por um brilhante halo branco. Os cientistas também descobriram que
Plutão, além de gelado, tem ao seu redor uma "neblina" que se estende
da superfície até 130 quilômetros de altura. São duas camadas, uma de 50
quilômetros de espessura e outra de 30 quilômetros.
Essa exploração de uma área desconhecida do Sistema Solar
busca trazer informações sobre Plutão e sua maior lua, Charon. Pequenos
planetas como Plutão são relíquias de mais de 4 bilhões de anos que podem
trazer dados reveladores sobre as origens do Sistema Solar.
Após a aproximação, a New Horizons continua sua viagem para
uma região do Sistema Solar conhecida como Cinturão de Kuiper, que se estende
de Netuno até depois do planeta-anão. Em Kuiper existem diversos planetas
anões, mas a área foi até hoje pouco explorada por missões espaciais. Essa
segunda etapa da viagem está prevista para o período entre 2016 e 2020.
fonte: veja.abril.com.br
segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Pela primeira vez, astronautas comem alface cultivada no espaço
“Tem gosto de rúcula”, disse o astronauta Scott Kelly, que
provou o vegetal na Estação Espacial Internacional (ISS). O alimento pode
ajudar em futuras missões tripuladas para Marte.
Astronautas fizeram nesta segunda-feira (10) a primeira
"degustação" de alimentos cultivados no espaço. De acordo com o
americano Scott Kelly, o cardápio do almoço na Estação Espacial Internacional
(ISS), composto apenas de alface romana, "é bom. Tem gosto de
rúcula." O evento foi transmitido pela televisão da Nasa, por volta das
13h45 (horário de Brasília), que interrompeu sua cobertura de uma caminhada
espacial russa para mostrar o episódio histórico.
O vegetal, cultivado por 33 dias na ISS, é parte de uma
experiência da Nasa que vai ajudar missões tripuladas para outros planetas.
"Se quisermos ir a Marte algum dia, precisaremos de uma nave que seja
sustentável. A habilidade de cultivar o próprio alimento no espaço é um grande
passo nessa direção", disse Kelly, após provar as folhas junto com outros
dois astronautas.
"Há evidências de que os alimentos frescos, como
tomates, mirtilos e alface vermelha são uma boa fonte de antioxidantes",
indicou Ray Wheeler, cientista da Nasa no Centro Espacial Kennedy da Flórida.
"Ter alimentos frescos como este disponível no espaço pode ter um impacto
positivo no humor das pessoas e também pode fornecer proteção contra a radiação
no espaço", acrescentou.
Alface espacial - O experimento, chamado Veg-01 (ou Veggie,
apelido dado pelos astronautas), começou há três anos e pretende estudar o
crescimento e a absorção de alimentos em ambiente de microgravidade, como a
ISS. No ano passado, alguns pés de alface haviam sido cultivados no espaço, mas
voltaram para a Terra para que fossem realizados testes de segurança.
A alface ingerida pelos astrônomos foi cultivada em uma
caixa especial de crescimento e foi levada para o espaço a bordo da nave SpaceX
Dragon. As sementes, armazenadas em travesseiros de enraizamento, foram
ativadas por Kelly em 8 de julho. Antes de serem colhidas, as plantas cresceram
em ambiente controlado, com luz especial.
Para comê-las, os astronautas limparam cuidadosamente as
folhas com toalhas desinfetantes e podiam ingerir apenas a metade das folhas.
As outras foram separadas e serão congeladas na estação até que possam ser
enviadas à Terra para análises científicas.
A alimentação dos astronautas é uma das mais importantes
questões para futuras missões tripuladas a planetas distantes, como a
colonização de Marte. Se for possível cultivar o próprio alimento não será
necessário enviar quilos de mantimentos dentro das naves ou mandar missões de
abastecimento, como as que são periodicamente enviadas à ISS.
"Quanto mais longe forem as viagens dos humanos pelo
espaço, maior será a necessidade de cultivar vegetais para alimentação,
reciclagem da atmosfera e benefícios psicológicos", disse o cientista da
Nasa Giola Massa, um dos responsáveis pelo Veg-01.
De acordo com os astrônomos, a textura e gosto
da salada "de verdade" trazem a lembrança dos alimentos ingeridos na
superfície, deixando os humanos no espaço mais conectados à Terra, além de
nutridos.
fonte: veja.abril.com.br
segunda-feira, 29 de junho de 2015
Prepare-se para uma longa terça-feira. Ela terá um segundo a mais
Com veículos e informações rápidas, o mundo parece girar
mais veloz. Mas a Terra, que não costuma respeitar o ritmo da tecnologia, está
rodando mais devagar. Por isso, nesta terça-feira, o dia será mais longo: terá
1 segundo extra. Com essa piscar de olhos, os relógios serão sincronizados com
a rotação do planeta. Não é muita coisa, mas é um lembrete importante de que o
tempo, esse que conhecemos e é marcado pelos relógios e celulares, não é mais
que uma construção humana.
"A rotação da Terra está diminuindo gradualmente, e
segundos a mais são uma forma de dar conta disso", afirmou Daniel
MacMillan, astrônomo da Nasa, em comunicado da última sexta-feira.
Assim, o último minuto do mês de junho de 2015 vai durar 61
segundos, em vez dos 60 usuais. O fenômeno se explica pela rotação irregular da
Terra, e não é novo: desde 1972 eles costumam surgir. O último aconteceu em
2012 e, antes, em 2008.
Isso acontece porque nossos relógios são ajustados de acordo
com o Tempo Universal Coordenado (UTC, na sigla em inglês), base para todos os
fusos horários. Esse tempo é dado por um sistema de relógios atômicos muito
precisos, que calculam a duração de um segundo de acordo com mudanças bastante
previsíveis de átomos de césio. É necessário mais de 1,4 milhão de anos para
que o césio perca um segundo.
Nosso planeta, entretanto, não é tão bom com as horas. Na
teoria, a Terra leva 86 400 segundos em uma rotação (é o número contido em 24
horas). Mas, na prática, a duração é de 86 400,002 segundos. Ou seja, ela está
um pouquinho atrasada. Isso acontece por efeito da força de atração
gravitacional entre a Lua e o Sol, responsável pelas marés. Também depende de
movimentos atmosféricos, variações dos gelos e forças como os terremotos, que
tornam o movimento de rotação um pouco mais lento.
Somados, todos esses milissegundos fariam com que os
relógios ficassem em descompasso com o planeta. Por isso, os cientistas inserem
esse segundo nos relógios com o objetivo de sincronizar a velocidade dos
ponteiros com a da Terra.
Sincronia digital - Se, em um dia comum, um segundo pode não
fazer muita diferença, para as máquinas, é fundamental. "Os grandes
sistemas de navegação por satélite, os principais sistemas de sincronização de
redes de computadores, devem levar em conta esta alteração. Se não, correm o
risco de 'erros'", explicou Daniel Gambis, diretor do Serviço de Rotação
da Terra (sim, tal instituição existe!), em Paris.
No início do ano, a Nasa e o Instituto Internacional de
Pesos e Medidas (BIPM), na França, alertou fabricantes e responsáveis pelos
sistemas digitais a respeito da alteração. Ela não deverá causar panes ou
grandes problemas nos sistemas. Afinal, com esse método, 26 preciosos segundos
foram adicionados aos dias desde 1972.
fonte: veja.abril.com.br
sexta-feira, 19 de junho de 2015
Como nascem e morrem as estrelas?
O processo de nascimento de uma estrela é mais ou menos
padrão, o que muda mesmo é a maneira como ela morre. Estrelas pequenas ou
médias, como o nosso Sol, terminam a vida esfriando lentamente, enquanto astros
maiores podem acabar seus dias como assustadores buracos negros! Aqui você
confere como são os ciclos de vida estelar mais comuns. O curioso é que esses
ciclos são fundamentais para a construção do Universo. Nas várias etapas da
vida de uma estrela, surgem diferentes elementos químicos, como hélio, carbono
e ferro, todos frutos da fusão nuclear - a grande fonte de energia desses
astros.
Vida de astro
Uma estrela como o Sol pode ter seu diâmetro aumentado cem
vezes antes de começar a apagar
1. Em geral, uma estrela nasce numa região conhecida como
berçário estelar. Os berçários espalhados pelo Cosmo têm nuvens moleculares
gigantes. Formadas por gás e poeira, tais nuvens chegam a ocupar uma área
equivalente à de todo o sistema solar! Com a ação da gravidade, os gases e a
poeira se juntam e a nuvem molecular começa a perder suas partes mais densas
2. Aos poucos, um pedaço desprendido que ganha ainda mais
densidade e calor passa a girar em torno de si até virar um tipo de disco. A
estrela nasce pra valer quando a temperatura e a densidade no disco ficam tão
altas que seus átomos de hidrogênio se fundem, virando hélio. É o início da
fusão nuclear. Tudo isso leva dezenas de milhões de anos
3. Com seu motor (a fusão nuclear) ligado, a estrela entra
numa fase estável de "queima de combustível". Para estrelas pequenas
ou médias, isso pode durar uns 10 bilhões de anos - é nesse estágio que o Sol
está hoje. Já para astros maiores, a fase estável só dura milhões de anos.
Quando o hidrogênio acaba, o combustível para a fusão passa a ser o hélio
4. Quando predomina a fusão do hélio, a estrela ganha
energia extra e se expande, virando uma gigante vermelha - ou supergigante
vermelha se era um astro com pelo menos oito vezes a massa do Sol. Após o
crescimento, o destino da estrela segue por dois rumos diferentes, dependendo
do tamanho dela
5a. Para uma estrela como o Sol, a fase gigante vermelha
dura uns 2 bilhões de anos. Depois, o astro expulsa suas camadas externas,
virando uma nebulosa planetária. No centro dela fica o "cadáver" do
velho astro: uma estrela anã branca. Feita de carbono e oxigênio, ela termina
seus dias esfriando por bilhões e bilhões de anos, mas sem se apagar totalmente
5b. Destino mais catastrófico têm as estrelas com mais massa
que o Sol. Nelas a fusão nuclear continua, e o hélio vai virando elementos cada
vez mais pesados, até chegar ao ferro. O núcleo fica então tão denso que não
consegue mais suportar o próprio peso e desaba, liberando tanta energia que a
estrela se despedaça. É o fenômeno conhecido como supernova
6a. A detonação de uma supernova pode criar uma estrela de
nêutrons. Isso ocorre se o núcleo que entrou em colapso tiver menos do que três
massas solares. Nesse caso, o que resta da supernova é uma crosta de ferro
sólido, muito densa, debaixo da qual está uma "papa" formada por
nêutrons, uma partícula atômica
6b. Mas ainda dá para ter um fim pior... Se o núcleo que
originou a supernova tiver mais que três massas solares, o destino da estrela é
se contrair até virar um ponto de gravidade pura, sem nenhum diâmetro. É o
temido buraco negro, que teoricamente é tão denso que nem a luz consegue
escapar da sua gravidade
Quando o Sol se for
Quando virar uma anã branca, estágio final de sua vida como
estrela, o Sol deve ficar com um diâmetro parecido com o da Terra; ou seja, com
aproximadamente um centésimo do diâmetro que tem hoje. Apesar de encolher muito
no tamanho, o Sol ainda irá preservar quase 60% de sua massa original
Vermelha por quê?
Quando a estrela se expande, sua energia é distribuída por
uma área maior e por isso o calor na superfície cai. Isso deixa a estrela com
um tom mais avermelhado. Quando o Sol chegar lá, daqui a 4 bilhões ou 5 bilhões
de anos, seu diâmetro aumentará cem vezes, o que dá para engolir a atual órbita
da Terra!
fonte: mundoestranho.abril.com.br
domingo, 14 de junho de 2015
Astrônomos encontram vidro em crateras de Marte
Estudo de cientistas americanos sugere que a substância pode
trazer evidências de vida no passado do planeta.
A partir de imagens registradas pela sonda Mars
Reconnaissance Orbiter (MRO), cientistas identificaram vidro nas crateras de
Marte, substância que pode ser mais uma a trazer evidências de vida no solo do
planeta. De acordo com os astrônomos Kevin Cannon e Jack Mustard, da
Universidade Brown, nos Estados Unidos, a substância foi formada por efeito de
um impacto violento, como o de um asteroide. Um estudo anterior sobre um choque
semelhante na América do Sul encontrou moléculas orgânicas no vidro formado
dessa forma. Está aí o atalho para concluir que esse pode ser um indício de que
há ou houve vida no planeta vizinho.
A análise, publicada na última semana no periódico
científico Geology, descreve como as informações trazidas pela sonda lançada em
2005 para detectar a presença de água em Marte revelou a substância, não
esperada na busca dos pesquisadores. Para achar o vidro, astrofísicos mediram o
espectro da luz refletida na superfície de Marte, pois só assim identificam os
minerais e tipos de rochas no local, remoto. No entanto, não sabiam ao certo o
que seria o material que estava refletindo luz em cor verde. À época já havia a
hipótese de que poderia ser vidro.
Para tirar a dúvida, Cannon misturou em laboratório vários
tipos de poeiras, similares a composição das rochas de Marte, e as colocou em
um forno para que formassem vidro. Para checar como o objeto reflete luz, ele
mediu o sinal espectral, medida técnica que aponta justamente esse tipo de
comportamento de substâncias químicas. Com um algoritmo, comparou os sinais do
vidro em laboratório e os enviados pelo veículo da Nasa. Ambos são semelhantes,
trazendo evidências da existência do material nas entranhas das crateras.
Vida no vidro - Um estudo, conduzido em 2014 pelo cientista
Peter Schultz, também da Universidade Brown, foi a motivação fundamental para
publicar a pesquisa. Schultz encontrou, na Argentina, moléculas orgânicas em
fragmentos de vidro, formadas há milhões de anos em consequência do impacto de
um asteroide. Por isso, a presença da substância pode ser pista para rastrear
vida na superfície de um planeta.
fonte: veja.abril.com.br
sábado, 4 de abril de 2015
Sonda encontra luzes misteriosas em planeta anão Ceres
A sonda Dawn, da Nasa, detectou duas luzes piscando na
superfície do objeto, e os cientistas ainda não sabem a explicação para o
fenômeno.
A Nasa divulgou fotografias do planeta anão
Ceres, feitas pela sonda Dawn a 46.000 quilômetros de distância do corpo
celeste, localizado no cinturão de asteroides existente entre Marte e Júpiter.
As imagens mostram duas luzes piscando na superfície do planetoide, um fenômeno
para o qual os cientistas ainda não têm explicação.
Chris Russell, principal investigador da missão, afirmou que
os pontos brilhantes podem ser estruturas vulcânicas do planeta anão, mas que
será preciso esperar fotografias com resolução melhor para tirar conclusões.
A sonda Dawn entrará na órbita de Ceres no dia 6 de março.
"Os pontos brilhantes continuam sendo muito pequenos para a resolução da
nossa câmera, mas, apesar do tamanho, são mais brilhantes do que qualquer coisa
em Ceres", afirmou Andreas Nathues, principal pesquisador de uma das
câmeras da sonda Dawn. "Isso é algo inesperado e um mistério para
nós."
Lançada em 2007 pela Nasa, a Missão Dawn tem como objetivo
orbitar os asteroides Vesta e Ceres para estudar sua estrutura interna,
densidade, forma, tamanho, composição e massa, entre outros aspectos. Os dados
ajudarão os cientistas a entender a história desses objetos e quais meteoritos
encontrados na Terra vêm desses corpos.
Em agosto de 2011, a Missão Dawn orbitou o asteroide Vesta,
ficando lá até setembro do ano seguinte. Ela fez mais de 30.000 imagens dele,
assim como diversas medições e informações sobre sua composição geológica.
fonte: veja.abril.com.br
sábado, 3 de janeiro de 2015
Nasa vai ‘hackear’ robô explorador de Marte
Para tentar resolver os problemas na memória do jipe
Opportunity, os cientistas vão fazer modificações em seu software, impedindo
que ele perca dados importantes.
A Nasa vai 'hackear' o software da sonda Opportunity, que
explora Marte há mais de dez anos, para tentar resolver seus constantes
problemas de memória. O objetivo é fazer com que o jipe ignore as partes com
defeito de seu sistema e continue trabalhando para enviar informações do
planeta para a Terra. A sonda tem reiniciado inesperadamente seu sistema
operacional, provocando a perda de dados ou interrupções na comunicação que
causam atrasos nas pesquisas científicas com o robô. Durante as festividades de
Natal, o jipe perdeu por completo a conexão com a Nasa, deixando os cientistas
apreensivos.
De acordo com a agência americana, o robô tem dois tipos de
memória, como qualquer tipo de computador. A que está causando os problemas é a
memória flash, semelhante a um disco rígido que grava informações e funciona
mesmo quando o sistema é desligado. Quando o sistema tenta registrar os dados e
não consegue, ele reinicia automaticamente, perdendo as informações. É como se
o Opportunity estivesse com “amnésia”, esquecendo eventos recentes.
As falhas ocorrem porque esse tipo de memória sofre desgaste
com o uso contínuo e está tentando utilizar uma porção danificada. Os
cientistas identificaram essa região e vão alterar o sistema operacional,
fazendo com que ele a ignore e use apenas as seções “saudáveis” da memória. As
mudanças devem levar algumas semanas para serem feitas.
Lapsos — A Opportunity tem apresentado problemas desde
meados de 2014. Em setembro, a Nasa formatou a memória da sonda para tentar
resolver as falhas. Em entrevista à emissora americana Discovery News nesta
semana, o astrônomo americano John Callas, membro da equipe da sonda, comparou
a Opportunity a um parente idoso em boa saúde. “Ele está bem, mas nunca se
sabe, pode ter um derrame no meio da noite. Então sempre tomamos precauções
para se algo acontecer.”
Mesmo que os defeitos não sejam solucionados, a sonda
ultrapassou todos os seus objetivos científicos. Ao ser lançada, em 2003,
deveria passar apenas três meses na superfície de Marte. Dez anos depois, ela
percorreu 41,8 quilômetros do terreno marciano, capturando dados que permitiram
o conhecimento atual sobre a composição do planeta.
fonte: veja.abril.com.br
sábado, 16 de novembro de 2013
Imagem inédita mostra Saturno em suas cores naturais
Nasa divulga primeira fotografia de Saturno na qual
aparecem, além de todas as suas luas e anéis, os planetas Terra, Vênus e Marte
A Nasa divulgou nesta terça-feira uma fotografia inédita de
Saturno, capturada pela sonda Cassini, em suas cores naturais. Essa é a
primeira vez em que os pesquisadores conseguem mostrar em uma única imagem
Saturno, suas luas e anéis, e o brilho longínquo dos planetas Terra, Vênus e
Marte. O panorama cobre 651.591 quilômetros e é, na verdade, um mosaico
composto por 141 fotografias tiradas durante quatro horas no dia 19 de julho.
Imagens da Terra capturadas a partir de regiões tão
distantes são muito raras — essa é a terceira foto do tipo já divulgada até
hoje. É que, visto a longa distância, o planeta aparece muito perto do Sol. Se
a Cassini, por exemplo, tentar fotografar o planeta sob condições normais,
corre o risco de danificar os seus sensíveis equipamentos. Por isso, a equipe
responsável pela sonda esperou por um momento em que o Sol estivesse escondido
atrás de Saturno, e a Terra continuasse visível. Isso foi possível no dia 19 de
julho, quando a Nasa criou a campanha "Acene para Saturno". A agência
pediu para que pessoas de todo o mundo olhassem em direção ao planeta no mesmo
instante em que a sonda estivesse fotografando a Terra.
"Com essa vista magnífica, a Cassini nos entregou um
universo de maravilhas. E fez isso justamente em um dia em que pessoas de todo
o mundo, em uníssono, sorriram em comemoração à alegria de estar vivo em um
pálido ponto azul”, disse Carolyn Porco, líder da equipe de imagens da Cassini.
O pálido ponto azul citado pela pesquisadora é a própria
Terra, que aparece como um ponto brilhante abaixo de saturno. A fotografia
também mostra Vênus, à esquerda, e Marte como um ponto tênue um pouco mais
distante. Além deles, são vistas brilhando no espaço escuro sete luas de
Saturno. A imagem pode ser vista em todos os detalhes no site da Nasa.
Anéis — A imagem deve ajudar os cientistas a estudar o
planeta e seus anéis, principalmente o anel E, o mais externo na imagem.
"Este mosaico fornece uma notável quantidade de dados de alta qualidade
sobre os anéis difusos de Saturno, revelando todos os tipos de estruturas
intrigantes que estamos tentando entender. O anel E mostra determinados padrões
que provavelmente refletem distúrbios vindos de fontes tão diversas como a luz
solar e a gravidade da lua Encélado”, diz Matt Hedman, cientista da
Universidade de Idaho, nos Estados Unidos, que participa da missão.
Lançada em 1997,
a Cassini tem explorado a região de Saturno há cerca de
nove anos. Segundo a Nasa, a missão deve durar até 2017. "Com uma dança
longa e intrincada em torno de Saturno, a Cassini tem como objetivo estudar o
planeta a partir de todos os ângulos possíveis", diz Linda Spilker,
cientista do projeto Cassini instalada no Laboratório de Propulsão a Jato da
NASA, na Califórnia.
"Além de nos mostrar a beleza do planeta, dados como
esse também melhoram a nossa compreensão sobre a história dos anéis em torno de
Saturno e a forma como os discos se formam em torno dos planetas. São pistas
sobre como o próprio Sistema Solar se formou em torno do Sol", diz a
pesquisadora.
Fonte: veja.abril.com.br
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Pesquisadores encontram fragmento de cometa que atingiu a Terra há 28 milhões de anos
Há 28 milhões de anos, um cometa adentrou a atmosfera
terrestre, acima da região que viria a ser conhecida como Egito. Ao entrar em
contato com o ar, o cometa explodiu, espalhando uma enorme onda de fogo que
destruiu todas as formas de vida em seu caminho. O calor produzido foi tão alto
que transformou o solo do deserto em vidro. Nesta quinta-feira, pesquisadores
da Universidade de Witts, na África do Sul, anunciaram em uma palestra que
identificaram um pedaço do cometa responsável por toda essa destruição.
O pequeno pedaço de rocha preta é a primeira prova material
encontrada por cientistas de um cometa que atingiu a Terra. Formados em regiões
distantes do Sistema Solar, a partir de gelo e poeira, eles normalmente se
desintegram quando entram em contato com a atmosfera. “Os cometas são bolas de
neve sujas de poeira que sempre passam pelos nossos céus, mas nunca havíamos
encontrado o material de que eles são feitos na superfície terrestre",
afirma David Block, pesquisador da Universidade de Wits e um dos responsáveis
pela descoberta.
Em seu estudo, os pesquisadores realizaram uma análise das
propriedades químicas e físicas de uma pequena e brilhante rocha negra que
havia sido encontrada por geólogos no sudoeste do Egito. Dura e angular, a
pedra foi nomeada pelos cientistas de Hipátia, em homenagem à mais antiga
filósofa, astrônoma e matemática de que se tem notícia: Hipátia de Alexandria.
A análise dos pesquisadores mostrou que ela era composta
principalmente por carbono, com diamantes microscópicos espalhados ao longo de
sua massa. "Os diamantes são produzidos a partir do carbono. Normalmente
eles se formam no fundo da terra, onde a pressão é muito alta, mas também podem
ser gerados a partir de um impacto muito forte", afirma Jan Kramers,
pesquisador da Universidade de Joanesburgo.
As análises dos isótopos encontrados na rocha mostraram que
o material deveria ter origem extraterrestre, possivelmente fazendo parte do
núcleo de um cometa. A pesquisa descrevendo a análise será publicada em novembro
na revista Earth and Planetary Science Letters.
Joias e segredos — Um dos fatores que levou os cientistas a
relacionar o pedaço de rocha extraterrestre com o cometa que atingiu o Egito há
28 milhões de anos foi o local onde a pedra estava, no meio de uma área de 6.000 quilômetros
quadrados no deserto do Saara. Nesse lugar são encontrados, desde os tempos
antigos, pequenos fragmentos de vidro
amarelado.
Segundo os pesquisadores, esses fragmentos foram produzidos
justamente pelo impacto do cometa, quando o calor de até 2.000 graus Célsius
transformou a areia que cobria o solo em vidro. Um desses pedaços — polido —
foi parar em um pingente utilizado por Tutankhamon há mais de 3.000 anos.
Os cientistas afirmam que é extremamente raro encontrar
material de cometas na superfície da Terra. Os únicos fragmentos descobertos
até agora eram microscópicos, achados em meio à poeira flutuando na alta
atmosfera ou no gelo antártico. A Hipátia só não teve o mesmo destino porque
seu impacto com a Terra teria resultado na formação de um material mais
resistente às intempéries.
A descoberta de material presente em cometas é de alto
interesse científico, pois esses astros foram formados em regiões distantes, no
início do Sistema Solar. “Os cometas contêm os segredos para desvendarmos a
própria formação do Sistema Solar e esta descoberta fornece uma oportunidade
sem precedentes de estudos", disse Block. “A NASA e a Agência Espacial
Europeia gastam bilhões de dólares coletando algumas microgramas de material de
cometa no espaço e trazendo-o de volta à Terra. Agora, nós temos uma
possibilidade nova de estudar esse material, sem gastar tanto dinheiro para
coletá-lo", diz Kramers.
Fonte: veja.abril.com.br
sábado, 7 de setembro de 2013
Sonda que buscará resolver mistério lunar é lançada
Missão vai tentar desvendar brilho nos crepúsculos lunares,
fenômeno descrito por astronautas que estiveram na Lua como semelhante à aurora
boreal
A Nasa lançou na madrugada deste sábado, a partir da Ilha de
Wallops, no litoral do estado da Virgínia, a cápsula robótica que orbitará a
Lua para tentar resolver um mistério de cinco décadas: os crepúsculos lunares.
A sonda chamada Explorador de Atmosfera e Poeira Lunar (Ladee, na sigla em
inglês) tem o tamanho de um automóvel compacto e pesa 383 quilos.
O foguete carregando a cápsula partiu, segundo o programado,
à 0h27 deste sábado (em Brasília) da instalação da Nasa onde funciona o Centro
Espacial de Wallops, localizado a 270 quilômetros da
capital americana. Criado em 1945, ele tem sido usado para lançar pequenas naves
suborbitais e balões científicos.
Aurora boreal – Na última expedição tripulada até a Lua, a
Apollo 17, os astronautas relataram ter visto um brilho no horizonte lunar logo
antes do nascer do Sol, semelhante à aurora boreal. O fenômeno, esboçado em seu
caderno por Eugene Cernan, comandante da missão, surpreendeu os cientistas, já
que a lua não tem uma atmosfera suficiente espessa o suficiente para refletir a
luz do Sol dessa maneira.
A nova missão, estimada em 280 milhões de dólares, vai durar
aproximadamente um mês. Quando entrar na órbita lunar, o Ladee vai testar a
teoria elaborada pelos cientistas segundo a qual o misterioso fenômeno é efeito
da poeira lunar, eletricamente carregada, em suspensão.
a sonda vai investigar ainda o entorno gasoso da Lua,
denominado exosfera (fino demais para ser considerado uma atmosfera). De acordo
com os especialistas encarregados da missão, os dados podem ajudar na pesquisa
de outros corpos do Sistema Solar, como o planeta Mercúrio e asteroides.
"Por meio das sondas de reconhecimento, descobrimos que
a Lua continua evoluindo e que, de fato, tem uma espécie de atmosfera",
disse John Grunsfeld, administrador associado da Nasa e encarregado de missões
científicas. Para ele, esta missão "poderia ajudar a entender melhor a
diversidade do nosso Sistema Solar e sua evolução".
Fonte: veja.abril.com.br
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Astrônomos brasileiros descobrem a mais velha estrela gêmea do Sol
A estrela HIP 102152 tem idade estimada de 8,2 bilhões de
anos, contra “apenas” 4,6 bilhões do Sol
Uma equipe internacional de astrônomos, liderada por
brasileiros, anunciou nesta quarta-feira a descoberta da estrela gêmea do Sol
mais velha conhecida até hoje. Situada a
250 anos-luz da Terra, na constelação do Capricórnio, a estrela HIP 102152 tem
idade estimada de 8,2 bilhões de anos – contra "apenas" 4,6 bilhões
do Sol.
Gêmeas solares são estrelas que possuem massa, temperatura e
composição química semelhantes às do Sol. Elas ajudam os pesquisadores a prever
o que deve acontecer com a estrela nos próximos bilhões de anos ou, no caso das
gêmeas mais novas, como ela tem se modificado ao longo do tempo.
A descoberta da primeira gêmea solar, denominada 18 Scorpii,
ocorreu em 1997. Desde então astrônomos do mundo todo procuram por mais astros
com as mesmas características. A nova estrela gêmea, além de ser a mais velha,
é mais parecida com o Sol do que qualquer outra.
O estudo foi realizado com dados do Very Large Telescope, do
Observatório Europeu do Sul (ESO), que fica no Deserto do Atacama, no Chile. Em
mais de 40 noites de observação, os pesquisadores estudaram a composição
química e outras características da estrela. O estudo que relata as descobertas
da equipe foi divulgado nesta quarta-feira no site do periódico Astrophysical
Journal Letters e sairá em sua versão impressa no próximo mês.
O mistério do lítio – O estudo já permitiu aos pesquisadores
contribuir para a solução de um mistério de seis décadas. Por meio do estudo de
meteoritos, os pesquisadores sabem que, durante sua formação, o Sol tinha uma
quantidade de lítio muito maior do que a atual (estima-se que a quantidade
existente agora corresponda a cerca de 1% da original). Gêmeas solares também
têm quantidades maiores deste elemento. O que teria acontecido com o lítio
presente no Sol?
Com a descoberta da HIP 102152, que tem em sua composição
ainda menos lítio do que o Sol, os pesquisadores descobriram que há uma
correlação entre a quantidade do elemento químico e a idade da estrela:
conforme o astro envelhece, os processos que ocorrem em seu interior fazem com
que a quantidade de lítio diminua.
Busca por planetas – As análises da nova gêmea mostraram
ainda que, assim como o Sol, ela apresenta uma deficiência nos elementos
refratários, aqueles que são capazes de suportar altas temperaturas e também
são abundantes em meteoritos e em planetas rochosos, como a Terra. Os
pesquisadores acreditam que esses elementos se encontram em menor quantidade no
Sol exatamente porque foram incorporados aos planetas rochosos que fazem parte
do Sistema Solar. O fato de a HIP 102152 apresentar as mesmas características
indica que ela pode hospedar planetas desse tipo, apesar de nenhum deles ter
sido encontrado até o momento orbitando a estrela.
Também não foi encontrado nenhum planeta gigante, como
Júpiter, na zona habitável da estrela. Jorge Meléndez, pesquisador Departamento
de Astronomia da Universidade de São Paulo e um dos autores do estudo, explica
que esse fato reforça a possibilidade de que um planeta parecido com a Terra
possa existir. Isso porque os equipamentos disponíveis atualmente não conseguem
identificar planetas pequenos como a Terra, mas os planetas gigantes são mais
facilmente encontrados. A existência de algum deles na zona habitável da estrela
tornaria improvável a presença de um planeta rochoso, já que sua órbita seria
desestabilizada pelo corpo celeste maior.
Fonte: veja.abril.com.br
domingo, 30 de junho de 2013
Ondas de choque causadas por meteorito que caiu na Rússia percorreram 85.000 quilômetros
Pesquisa mostra que explosão foi a segunda maior já
registrada e a quantidade de energia liberada foi a maior medida desde o
meteorito que caiu em Tunguska, também na Rússia, em 1908
No dia 15 de fevereiro deste ano, um grande meteorito se
desintegrou no céu sobre os Montes Urais, na Rússia. A onda de choque feriu
cerca de mil pessoas e causou 30 milhões de dólares de prejuízo. Uma nova
pesquisa aceita para publicação na revista Geophysical Research Letters
descreve o impacto com o maior grau de detalhes até agora. Segundo os dados
coletados pelos pesquisadores, a onda de choque provocada pelo meteorito viajou
o equivalente a duas voltas no planeta e a quantidade de energia liberada foi a
maior medida desde o meteorito que caiu em Tunguska, também na Rússia, em 1908.
A onda de choque foi registrada por equipamentos da
Organização do Tratado de Proibição Completa de Ensaios Nucleares, espalhados
pelo mundo para detectar testes clandestinos de bombas nucleares. Os
equipamentos registram a passagem de ondas de choque por meio da detecção de
infrassons, sons de baixa frequência — com menos de 10 hertz — que não podem
ser ouvidos pelos seres humanos.
Segundo o estudo, as ondas infrassônicas provocadas pelo
meteorito foram gravadas em 20 estações de monitoramento da organização e foram
as mais fortes já registradas pelo sistema. O impacto teria causado ondas de
choque que percorreram até 85.000 quilômetros , o suficiente para dar duas
voltas na Terra.
Os pesquisadores estimam que a explosão liberou uma energia
equivalente a 460 quilotons — cerca de 20 vezes mais que a bomba nuclear jogada
pelos americanos em Nagasaki, no Japão, na Guerra Mundial II. Por sorte, a
explosão aconteceu muito acima da Terra, a uma altitude de 30 a 50 quilômetros .
Segundo a pesquisa, essa é o segundo maior impacto de meteorito já registrado,
só perdendo para o que caiu em Tunguska, que foi dez vezes mais potente e
destruiu 8 milhões de árvores em uma área de 1.200 quilômetros
quadrados de floresta.
Fonte: veja.abril.com.br
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Estrela "vizinha" do Sistema Solar possui três planetas em sua órbita com capacidade de abrigar vida
Os três planetas são um pouco maiores do que a Terra e estão
na chamada zona habitável da estrela Gliese 667C
Astrônomos combinaram novas observações com dados antigos
para revelar que a estrela Gliese 667C
possui em sua órbita, no mínimo, seis planetas. Três deles estão localizados
dentro da chamada zona habitável da estrela, onde a água pode existir na forma
líquida, tornando possível a existência de vida. O estudo que descreve a
descoberta será publicado no periódico Astronomy & Astrophysics.
A Gliese 667C
é uma estrela muito conhecida dos pesquisadores. Com apenas um terço da massa
solar, ela faz parte de um sistema estelar triplo — onde três estrelas orbitam
uma em torno da outra — conhecido como Gliese 667, localizado a
"apenas" 22 anos-luz da Terra, na constelação de Escorpião. Muitos
outros sistemas planetários já foram descobertos pelos cientistas, mas poucos
tão próximos quanto esse, na chamada vizinhança solar.
Estudos anteriores da estrela Gliese 667C já haviam revelado que
ela hospedava três planetas, um deles localizado em sua zona habitável. Dessa
vez, os pesquisadores reexaminaram o sistema estelar usando telescópios como o
Very Large Telescope e o de La Silla, ambos pertencentes ao Observatório
Europeu do Sul (ESO) e instalados no deserto do Atacama, no Chile. Como
resultado, descobriram evidências da presença de sete planetas ao redor da
estrela — um deles não confirmado, pois seus sinais são mais fracos que os
demais.
Desses planetas, três estão localizados dentro de sua zona
habitável. Outros dois estão em órbitas muito próximas à estrela e outros dois
em órbitas distantes, onde o clima é, respectivamente, muito quente ou muito
frio para sustentar a vida. "A partir dos estudos anteriores, nós sabíamos
que a estrela possuía três planetas. Ao adicionar novas observações e revisar
os dados, nós fomos capazes de confirmar esses três e revelar muitos mais.
Encontrar três planetas de baixa massa na zona habitável da estrela é muito
empolgante", diz Mikko Tuomi, pesquisador da Universidade de
Hertfordshire, na Inglaterra, e um dos autores do estudo.
Paisagem — Como a Gliese 667C é menos maciça e brilhante
que o Sol, sua zona habitável também fica consideravelmente mais próxima da
estrela, sendo um pouco menor que a órbita de Mercúrio. Os três planetas
localizados dentro dela são super-Terras — mais maciços que a Terra, porém
menores do que Urano e Netuno — e ocupam todas as órbitas estáveis disponíveis
dentro da zona habitável, não deixando espaço para nenhum outro planeta na
região.
Os três planetas giram de tal modo que sempre têm a mesma
face voltada para a estrela, fazendo com que um de seus lados fique
perpetuamente iluminado, enquanto o outro permaneça numa noite eterna. Nos céus
desses planetas, os outros dois sóis que formam o sistema estelar triplo seriam
vistos como estrelas muito brilhantes.
Segundo os pesquisadores, essa é a primeira vez em que
três planetas são encontrados dentro da mesma zona habitável. "O número de
planetas potencialmente habitáveis em nossa galáxia pode ser muito maior se
pudermos encontrar uma grande quantidade deles ao redor de cada estrela de
baixa massa. Assim, em vez de olharmos para dez estrelas em busca de um planeta
potencialmente habitável, nós poderemos observar uma única estrela e encontrar
vários deles", disse Rory Barnes, pesquisador da Universidade de
Washington, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo.
Fonte: veja.abril.com.br
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Nasa lança programa para rastrear e capturar asteroides
Agência deve contar com ajuda do governo, da indústria e de
cientistas para estudar os asteroides que ameaçam a humanidade
A Nasa anunciou nesta terça-feira um novo programa focado na
descoberta e estudo de asteroides que possam ameaçar a humanidade. O projeto
deve contar com a ajuda de outras agências governamentais, da indústria, da
comunidade científica e até de cientistas amadores.
O projeto surge como um complemento para outra missão
anunciada recentemente pela Nasa, de uma nave não tripulada que irá capturar um
asteroide e rebocá-lo até a órbita lunar, onde astronautas poderão estudá-lo.
"A Nasa já trabalha no acompanhamento de asteroides que poderiam
representar um perigo para o nosso planeta. Apesar de termos encontrado 95% dos
maiores em órbita próxima à Terra, temos que detectar a todos", disse Lori
Garver, administradora adjunta da Nasa.
A iniciativa faz parte de uma série de metas chamada Grandes
Desafios, traçadas pela Casa Branca para estimular a inovação. "Esse
Grande Desafio é focado em detectar e caracterizar asteroides e aprender a
lidar com esses riscos potenciais. Nós também vamos aproveitar a participação
do público, com sua capacidade de inovação, e dos cientistas amadores, para ajudar
a resolver este problema global", diz Garver.
Vizinhança perigosa — Há nos arredores da Terra uma grande
variedade de asteroides. A Nasa já detectou quase todos maiores que um
quilômetro de diâmetro — os mais perigosos. Foi um desses, por exemplo, que
causou a extinção dos dinossauros ao colidir com o planeta há 65 milhões de
anos. Os cientistas afirmam que uma colisão com um destes grandes objetos é
muito rara na história da Terra e nenhum dos já detectados representa um risco
no futuro próximo.
Embora os grandes asteroides sejam facilmente
identificáveis, detectar os menores — e mais numerosos — é mais difícil.
Segundo a Nasa, há provavelmente 25.000 asteroides com pelo menos 100 metros de diâmetro
ao redor da órbita terrestre, capazes de destruir até uma cidade. Desses, só
foram detectados 25%.
A caça de asteroides ganhou maior evidência desde 15 de
fevereiro, dia em que um destes objetos passou muito perto da Terra, e outro,
de 15 metros
de diâmetro, caiu na Rússia. Este último, ao se desintegrar, provocou uma onda
de choque que quebrou muitas janelas e feriu centenas de pessoas.
Fonte: veja.abril.com.br
sábado, 15 de junho de 2013
Astrônomos descobrem 26 possíveis buracos negros em galáxia vizinha da Via Láctea
Esta é a maior concentração desse tipo de corpo celeste já identificada
fora da nossa galáxia
Astrônomos dos Estados Unidos identificaram 26 candidatos a buracos
negros na galáxia de Andrômeda, a mais próxima da Via Láctea. A descoberta é
resultado de mais de 13 anos de estudos com uso do observatório orbital
Chandra, da Nasa. Essa é a maior quantidade de corpos selestes desse tipo já
identificada fora da nossa galáxia.
"Nós estamos animados por encontrar tantos buracos negros em
Andrômeda, mas achamos que essa é só a ponta do iceberg", afirma Robin
Barnard, do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, e um dos autores do
artigo que descreve os resultados, que será publicado no periódico
Astrophysical Journal, em 20 de junho.
Os possíveis buracos negros possuem massa até dez vezes a do Sol, e são
detectados pelos cientistas por atraírem matéria de uma estrela próxima para
si. Antes de desaparecer dentro do buraco negro, a matéria ganha calor e produz
radiação.
Pesquisa – Para descobrir se os corpos celestes de Andrômeda eram
realmente buracos negros, os astrônomos observaram características específicas
nas fontes de raios-X desses objetos, como brilho e coloração. Esses fatores
permitem que os buracos negros sejam diferenciados de outros corpos celestes.
O grupo de pesquisadores já havia identificado anteriormente nove
candidatos a buracos negros na região. Com as descobertas recentes, esse número
vai para 35. Sete deles se encontram a até 1.000 anos-luz do centro de
Andrômeda – mais do que o número de candidatos a buracos negros com
propriedades similares próximos do centro da Via Láctea. Para os pesquisadores,
isso ocorre pelo fato de que a concentração de estrelas no centro da galáxia
vizinha é maior, o que permite a formação de mais buracos negros.
O novo estudo confirma previsões feitas anteriormente com uso do Chandra,
sobre a origem das fontes de raios-X localizadas no centro de Andrômeda.
"Nós estamos particularmente animados em ver tantos candidatos a buracos
negros próximos ao centro da galáxia. Nós estávamos procurando por eles havia
anos", afirma Barnard.
Fonte: veja.abril.com.br
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Astrônomos descobrem novo tipo de estrela
Pesquisadores suíços captaram imagens de aglomerado com
astros que brilham periodicamente. O novo tipo de estrela ainda não tem nome
Astrônomos suíços descobriram um novo tipo de estrela a
cerca de 7.000 anos-luz da Terra. Ao longo de sete anos de observação
detalhada, eles perceberam variações muito pequenas, mas periódicas, em seu
brilho — algo nunca visto antes. As observações revelaram características até
hoje desconhecidas em estrelas, que desafiam as teorias atuais e trazem novas
questões quanto a seu funcionamento interno. A pesquisa foi publicada na
revista Astronomy & Astrophysics.
Os pesquisadores da Universidade de Genebra utilizaram o
telescópio Euler, instalado no observatório de La Silla, no Chile, para
observar mais de 3.000 estrelas no aglomerado estelar NGC 3766, localizado na
constelação de Centauro. Utilizando a grande precisão do equipamento, eles
perceberam a existência de 36 estrelas que apresentavam uma variação regular
muito pequena em sua luminosidade — da ordem de 0,1% de seu brilho normal.
Essas variações aconteciam periodicamente, em períodos que vão de duas a vinte
horas.
Os pesquisadores já conheciam muitas estrelas cujo brilho
muda ao longo do tempo — elas são chamadas de estrelas variáveis ou pulsantes.
Essa mudança em sua luminosidade é causada por alterações complexas em seu
interior. Para estudar esse tipo de fenômeno, os pesquisadores criaram um novo
campo da astrofísica, chamado astrossismologia, no qual eles tentam descobrir
as propriedades físicas das estrelas a partir das alterações em seu brilho.
No entanto, eles nunca haviam observado esse tipo de
variação acontecendo de forma periódica. “A própria existência dessa nova
classe de estrelas variáveis é um desafio aos astrofísicos. Os modelos teóricos
atuais predizem que sua luz não deveria variar periodicamente, então nossos
esforços atuais estão voltados a descobrir mais sobre o comportamento desse
estranho novo tipo de estrela”, diz Sophie Saesen, uma das pesquisadoras
responsáveis pela descoberta. A nova classe de estrelas ainda não foi nomeada
pelos astrônomos.
Precisão suíça — Os pesquisadores ainda não têm certeza do
motivo que leva a essa variação periódica no brilho, mas já formularam algumas
teorias. Segundo o estudo, as estrelas giram a velocidades muito altas —
maiores do que a metade de sua velocidade crítica, o limite a partir do qual as
estrelas se tornam instáveis e começam a jogar matéria em direção ao espaço.
“Nessas condições, o giro rápido tem um grande impacto em suas propriedades
internas, mas nós ainda não somos capazes de modelar esses efeitos
adequadamente”, disse Nami Mowlavi, um dos pesquisadores responsáveis pelo
estudo.
A pequena variação na luminosidade das estrelas só foi
detectada por conta da alta precisão do telescópio Euler, construído pelos
pesquisadores suíços. Apesar de seu tamanho pequeno, medindo apenas 1,2 metro , as observações
foram duas vezes mais precisas do que as obtidas em estudos semelhantes com
outros telescópios. “Nós alcançamos esse nível de sensibilidade graças à alta
qualidade das observações, combinada com a análise muito cuidadosa dos dados,
mas também porque desenvolvemos um longo programa de observação, que durou sete
anos. Provavelmente, não conseguiríamos ter esse tempo em um telescópio maior”,
diz Mowlavi.
Fonte: veja.abril.com.br
terça-feira, 11 de junho de 2013
Coisas que os humanos acham que viram em Marte
Desde que o homem começou a explorar o planeta vermelho,
imagens das areias e pedras em sua superfície têm sido confundidas com ratos,
coelhos e outras criaturas típicas da Terra. Isso não revela nada sobre Marte -
mas diz muito sobre a mente humana
No final do ano passado, o robô Curiosity tirou mais uma de
suas inúmeras fotos da superfície marciana. A paisagem era composta por areia e
pedras vermelhas — nada muito diferente das outras imagens do planeta. Apesar
disso, a fotografia tem circulado pela internet, principalmente por sites de
ufologia, como se fosse uma evidência de vida fora da Terra. Acontece que uma
das pedras mostradas lembrava, bem vagamente, um roedor. Isso foi suficiente
para que sites como o Ufo Sightings Daily afirmassem que a Nasa estaria
escondendo a existência do animal.
Apesar de ser altamente improvável que um rato terrestre
fosse capaz de sobreviver em Marte ou que tivesse evoluído de forma
independente no planeta, a imagem foi parar na imprensa escrita e nas redes de
televisão — na maioria das vezes em tom de deboche. O animal ganhou até um
perfil na rede social Twitter, com mais de 1.700 seguidores: o @realmarsrat.
"Povo da Terra. Vocês me encontraram. Preparem-se para a invasão",
diz a descrição da conta.
Essa não é a primeira vez que imagens de Marte induzem
ilusões de ótica e teorias da conspiração. Inúmeras pessoas já relataram ter
visto faces humanas, coelhos e papagaios em sua superfície. Isso acontece por
causa de um fenômeno psicológico chamado pareidolia, que faz com que o ser
humano atribua a estímulos visuais vagos um significado que lhe seja familiar.
É ele o responsável, por exemplo, pela visão de carneirinhos nas nuvens ou uma
bota no mapa da Itália.
Segundos os cientistas, o fenômeno pode ter surgido como uma
adaptação evolutiva para ajudar o homem a reconhecer, rapidamente e de modo
inconsciente, animais, faces humanas e outros elementos do mundo natural. Às
vezes, o efeito vai longe demais e faz as pessoas enxergarem coisas que não
estão lá, como imagens religiosas em torradas ou figuras humanas em montanhas.
As visões na superfície de Marte dizem muito pouco sobre o planeta vermelho —
principalmente sobre vida em sua superfície. Mas diz muito sobre a mente humana.
Fonte: veja.abril.com.br
domingo, 9 de junho de 2013
Rochas indicam presença de água corrente em Marte
Formato de pedregulhos fotografados pelo robô Curiosity
sugere que eles teriam se formado em um rio, há bilhões de anos
Há algum tempo os pesquisadores teorizam sobre a existência
de água líquida em Marte. Hoje em dia, a superfície do planeta é basicamente
uma vastidão seca e fria, mas diversas formações rochosas — como vales e canais
— sugerem um passado muito mais úmido. Uma nova pesquisa publicada nesta
quinta-feira na revista Science fornece as evidências mais fortes até hoje de
que Marte não só possuía água, mas também rios por onde ela corria.
A pesquisa analisou imagens capturadas pelo robô Curiosity
no ano passado, que mostravam formações de cascalho e rochas. Assim que
apareceram, as fotografias chamaram a atenção dos pesquisadores, pois a
estrutura parecia ter se formado no leito de um rio. A nova pesquisa confirma a
impressão inicial, sugerindo a presença de água corrente no planeta há cerca de
três bilhões de anos.
As imagens formam um grande mosaico, de 1,4 metro por 80 centímetros ,
mostrando algumas áreas com grandes acúmulos de rochas, cimentadas como se
fossem concreto. "Nós dividimos a imagem em campos menores, de 10 milímetros , e
começamos a analisar o cascalho, que é formado por grãos grossos de areia
medindo em torno de 0,3
milímetro . Depois, examinamos as pedras que medem entre
4 e 40 milímetros
em maior detalhe. Ao todo, fizemos uma análise minuciosa de 515 pedras ", diz
Asmus Koefoed, pesquisador do Instituto Niels Bohr da Universidade de
Copenhague e autor do estudo.
Quando as rochas são desgastadas pelo vento, elas se tornam
angulares e ásperas — o que não era o caso das pedras fotografadas. Quando elas
se movem em fluxos de água, no entanto, o desgaste acontece de uma maneira
completamente diferente. Nesse caso, as pedras correm em meio a uma mistura de
água e areia, batendo umas nas outras, fazendo com que seus cantos e bordas se
tornem, eventualmente, suaves e arredondados — assim como as rochas
fotografadas. “Descobrimos que quase todas as 515 pedras analisadas
eram planas, lisas e redondas”, afirma Koefoed.
Formação — Segundo os pesquisadores, os depósitos analisados
foram formados a partir do fluxo conjunto de areia fina, lama, cascalho e
pedra. Todos esses sedimentos teriam se aglutinado com o passar do tempo,
formando um material duro, parecido com o concreto. Os sedimentos localizados
nas partes mais superficiais da formação foram, posteriormente, desgastados por
partículas de areia carregadas em fortes ventanias.
O resultado permite aos pesquisadores entender um pouco mais
sobre o passado de Marte. "Para mover e formar essas pedras arredondadas,
é necessário que tenha existido água corrente com uma profundidade de entre 10 centímetros e um
metro, com um fluxo de cerca de 1
metro por segundo — um pouco mais rápido do que um
típico rio dinamarquês", explica Morten Bo Madsen, pesquisador do
Instituto Niels Bohr.
Até agora, os pesquisadores pensavam que o período quente e
úmido de Marte deveria ter acontecido entre 3,5 e 3,7 bilhões de anos atrás,
mas o novo estudo sugere que ele se estendeu até entre 2 e 3 bilhões de anos
atrás.
Segundo os pesquisadores, o estudo mostra que o planeta pode
ter sido um local dinâmico, muito mais propício ao desenvolvimento da vida do
que hoje. Além de água corrente, pesquisas recentes usando o Curiosity
mostraram que havia em sua superfície uma série de minerais essenciais para a
vida de microorganismos. Assim, o robô cumpriu um dos objetivos para o qual foi
construído: investigar se Marte, em algum momento, foi um ambiente com
condições para o desenvolvimento de vida.
Fonte: veja.abril.com.br
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